Os candidatos indeferidos e os que se safaram; a despolitização da campanha eleitoral; Professor Jocelino contra Matria; e mais

Armandinho, Assumção e Tininho
O vereador de Vitória Armandinho Fontoura (PL) conseguiu efeito suspensivo de sua condenação por falsidade ideológica, apenas no que diz respeito aos direitos eleitorais. O desembargador Fernando Zardini Antonio, vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES), acatou o argumento da defesa de que uma testemunha favorável a Armandinho foi impedida de ser ouvida, o que pode configurar cerceamento. Trata-se de uma conquista parcial, e o parlamentar ainda corre o risco de ser impugnado ou ter a votação invalidada posteriormente.
Por outro lado, um companheiro de chapa de Armandinho foi indeferido na segunda-feira (14): o deputado estadual Capitão Assumção, que, como sustentou o Ministério Público Eleitoral (MPE), não pagou multas eleitorais que está devendo mesmo após sucessivas advertências – somente no último dia 1º é que ele teria pedido parcelamento junto à Advocacia Geral da União (AGU). No mesmo dia, o ex-prefeito de Marataízes (litoral sul), Tininho Batista (PV), também foi indeferido. Ele teve as contas rejeitadas pela Câmara de Vereadores, após ter utilizado ilegalmente recursos de royalties de petróleo do município para custear despesas correntes, mais especificamente o pagamento de auxílio-alimentação a servidores.
E tem mais gente está em risco.
Judicialização e despolitização
Saber quem foi ou não impugnado é uma das poucas emoções proporcionadas pela campanha eleitoral deste ano, que tem sido considerada uma das mais despolitizadas da história do Brasil. Com uma crise institucional sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) e sucessivos escândalos, ninguém parece muito disposto a debater propostas. A população tampouco se interessa por essas questões, porque não acredita mais em promessas. O pior é que a tendência da despolitização é justamente beneficiar quem trabalha para corromper o “sistema”, já que, se todo mundo é “corrupto”, não é preciso perder tempo separando o joio do trigo. O governador Ricardo Ferraço (MDB) tem dito que quer se manter longe da “brigalhada ideológica”. Antes o problema fosse a disputa de ideias…
Assistindo ao STF de camarote
Como prometido, os bolsonaristas montaram um telão em frente à Assembleia Legislativa do Estado (Ales), nesta terça-feira (15), para assistir juntos à sessão do STF que analisa se o ministro Alexandre de Moraes deve ou não ser investigado por suposto envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Entretanto, com tempo chuvoso e em dia útil, o público ficou mais restrito a candidatos do PL e assessores.
Ricardo no ataque
A campanha do governador Ricardo Ferraço fez um ataque direto ao seu principal adversário, Lorenzo Pazolini (Republicanos), nessa segunda-feira (14). Ricardo postou um vídeo que mostra Pazolini na tela de um desses celulares com tela “flip”, que, ao se abrir, o mostra abraçado (“colado”) a Magno Malta (PL). “Tem modelo por aí se anunciando como novidade, mas quando a gente vai conferir, descobre que de novo não tem nada. Quer uma dica? Poupe tempo e não pague pra ver…”, diz a legenda da postagem.
Candidata a vice-presidente da UP
A candidata à vice-presidência da República pela Unidade Popular (UP), Raquel Brício, está no Espírito Santo nesta terça (15) e quarta-feira (16) cumprindo uma agenda de campanha ao lado das candidaturas da UP no estado. O partido tem candidato próprio a governador este ano, Rafael Demuner. Por enquanto, os nomes nacionais dos partidos têm passado longe do território capixaba na campanha eleitoral deste ano.
Jocelino: Matria, não!
O vereador de Vitória Professor Jocelino (PT), candidato a deputado estadual, publicou nota nesta terça-feira afirmando que não autorizou a inclusão de seu nome entre as candidaturas que assinaram uma carta-compromisso da Matria, associação em defesa dos direitos das mulheres e das crianças que tem se notabilizado por se opor às pautas das população transgênero. Jocelino afirmou que está apurando o que aconteceu para ter sido incluído inadvertidamente, o que considerou como “erro grave”. Ele ainda afirmou que a Matria tem “atuação repugnante em pautas antitrans e posições que considero profundamente transfóbicas e incompatíveis com a defesa dos direitos humanos”.
Assinaturas
Entre os que assinantes da carta estão candidaturas de diversos estados e matizes ideológicos, da extrema esquerda (PCO) à extrema direita (Missão). Entre os capixabas, além do vereador da capital, assinaram o texto, segundo a organização, as candidatas a deputada estadual Adriana Pessim (PT), Major Cássia (PP) e Pamela Fiorio (PP).
Compromissos
São oito os compromissos apresentados na carta da Matria: a manutenção de espaços, serviços e políticas públicas destinados às mulheres com base no sexo; atuar em defesa da integridade das categorias esportivas femininas; promover políticas de cuidado e acompanhamento integral para crianças e adolescentes que apresentem sofrimento relacionado ao corpo ou à identidade; defender o livre debate de ideias e a liberdade de pesquisa, de ensino e de expressão; fortalecer políticas de prevenção e combate à violência baseada no sexo; assegurar a participação efetiva e plural de organizações de mulheres e de representantes da sociedade civil feminina na elaboração de políticas públicas; defender a coleta e divulgação de dados estatísticos desagregados por sexo; manter canais de diálogo com organizações de mulheres.

