A chapa eleitoral tucana; as más escolhas de Arnaldinho Borgo; as expectativas em torno dos vices; e mais

Chapa eleitoral
A convenção da federação formada por Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Cidadania foi realizada na noite dessa quarta-feira (29), em Vila Velha. Foram lançados 23 nomes para deputado estadual – todos tucanos, tendo em vista que o Cidadania não está com diretório ativo e não terá candidatos: Cícero Ribeiro, Thiagão do Ibes, Evelyn Neto, Marcio Zaneti, Markety do Povo, Sgt. Do Carmo, Tunão, Thiago Gêmeos, João Batista Tita, Serginho do Salão, Cezar Lázaro, Pr. Oseias, Prof. Aldo Júnior, Luiz Paulo Vellozo Lucas, Ana Paula Machado, Haley Pescador, Coronel Roger, Vandinho da Padaria, Lyza Herzog, Dr. Lilian Souza, Erny da Apae, Anadelso e Suelen Falcão. Desses, Luiz Paulo, ex-deputado federal e ex-prefeito de Vitória, é o mais conhecido. Anadelso é vereador em Vila Velha, e Vandinho, em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado). Tita também ocupou uma cadeira da Câmara de Vila Velha na legislatura passada.
Prometeu tudo…
Seria importante colocar nomes para o Congresso Nacional para ajudar a federação a superar a cláusula de barreira, mas só haverá candidatos a deputado estadual. O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, foi colocado como presidente estadual do PSDB no início do ano com duas missões: se candidatar a governador e preparar as chapas eleitorais de 2026. No fim das contas, Arnaldinho desistiu da disputa e retornou para o grupo governista. Mesmo assim, fez um estrago: o fato de ter sido colocado à força no comando do ninho tucano provocou uma debandada do partido, perdendo lideranças importantes. Ou seja, o prefeito canela-verde prometeu tudo, não entregou nada (ou, por outro ponto de vista, entregou demais…), e agora será preciso lutar pela sobrevivência no pleito de outubro.
Chapa esvaziada
No início do ano, o PSDB chegou a anunciar alguns nomes importantes para a chapa federal, incluindo o deputado Dr. Victor Linhalis, pré-candidato à reeleição; o ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga; e Luiz Paulo. Antes do fim da janela partidária, em abril, Linhalis se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), e Neucimar, ao Partido Liberal (PL), como forma de se garantirem em siglas mais competitivas. Ficou apenas Luiz Paulo, tucano histórico, mas que desceu para a disputa por uma vaga como deputado estadual.
Luiz Paulo e Luciano
Atualmente, o nome com maior capital político no PSDB capixaba (fora Arnaldinho) é Luiz Paulo, que há um bom tempo tem amargado seguidas derrotas eleitorais. A mais doída foi em 2010, quando obteve apenas 15,5% dos votos para governador, contra 82,3% de Renato Casagrande (PSB). Depois disso, não conseguiu se eleger novamente nem como deputado federal e nem como prefeito de Vitória (terceiro colocado em 2024). No Cidadania, a principal liderança continua sendo o também ex-prefeito de Vitória Luciano Rezende, que tem ficado distante das articulações eleitorais nos últimos anos.
O pouco que restou
Em 2024, o PSDB tinha conseguido eleger quatro prefeitos no Espírito Santo. Este ano, após o “fator Arnaldinho”, restou apenas o próprio chefe do Executivo de Vila Velha. O Cidadania, por sua vez, é representado pelo prefeito Paulo Cola, de Piúma (litoral sul), que está no segundo mandato consecutivo. Os tucanos tinham Mazinho dos Anjos e Vandinho Leite (presidente “destronado” por Borgo) como deputados estaduais, mas ambos migraram para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O Cidadania elegeu Fabrício Gandini em 2022 para a Assembleia, mas ele saiu da sigla em 2023, em meio às articulações para a disputa pela Prefeitura de Vitória (da qual acabou recuando), passando pelo Partido Social Democrático (PSD) e hoje chegando ao Podemos.
Problemas a nível nacional: PSDB
Os problemas do PSDB e do Cidadania no Espírito Santo espelham as dificuldades das duas siglas a nível nacional. Até 2018, os tucanos eram a principal força de oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil. Após a Operação Lava Jato, foram substituídos desse posto pela extrema direita bolsonarista. O PSDB quase foi incorporado ao Podemos, mas um movimento realizado por militantes históricos melou o acordo.
Problemas a nível nacional: Cidadania
Já o Cidadania tem origem no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1992, se tornou Partido Popular Socialista (PPS), abandonando as raízes comunistas. Com a última alteração de nome, em 2019, moveu-se ainda mais em direção à centro-direita. Porém, nada disso foi suficiente para aumentar o capital político da sigla, que inclusive vivenciou um racha interno este ano entre o grupo de Roberto Freire, figura histórica desde a época do “Partidão”, e seu atual presidente, o deputado federal paulista Alex Manente. O Cidadania chegou a aprovar a saída da federação com o PSDB, mas acabou voltando atrás.
PRD e Solidariedade
O evento do PSDB-Cidadania em Vila Velha também incluiu a convenção da federação formada por Solidariedade (SDD) e Partido Renovação Democrática (PRD), que apresentou sua chapa de candidatos a deputado estadual e declarou apoio ao bloco governista, representado pelo pré-candidato a governador Ricardo Ferraço (MDB). O PRD, até recentemente, tinha representação na Ales com Coronel Weliton, que mudou para o Democracia Cristã (DC) na janela partidária. A sigla também teve uma disputa interna recente por seu controle, e Joelma Costalonga, aliada do presidente da Assembleia, Marcelo Santos (União), chegou a ser garantida na Presidência por medida judicial. Hoje, Joelma é uma das apostas do União Brasil como possível vice na chapa de Ferraço.
Quem vai ser vice?
Faltando pouco para o fim do prazo de realização das convenções partidárias, ainda há muitas dúvidas sobre quem os pré-candidatos a governador vão escolher para compor as chapas como vice. Por enquanto, apenas o pré-candidato Breno Barcelos, do novato Missão, já tem companheiro de chapa: Victor Oliveira, do mesmo partido. Na esquerda, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) indicou Neio Lúcio Fraga Pereira para disputar junto com Helder Salomão (PT), mas o nome de Professora Valdirene (PT), vereadora de São Mateus (norte do Estado), também é especulado.
Governistas e opositores
Nos outros campos políticos, a disputa é mais acirrada, principalmente na frente ampla governista, rendendo inclusive ameaça de “deserção” por parte da União Progressista (UP, União Brasil + PP). Com a oposição, encabeçada por Lorenzo Pasolini (Republicanos), um dos nomes que chegou a ser apontado foi o de Livia Vasconcelos (PSD), primeira-dama de Colatina (noroeste). Entretanto, a relação com o Partido Social Democrático azedou após a confirmação da aliança entre Republicanos e Partido Liberal (PL).

