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Alianças eleitorais instáveis

Os desacordos da UP com a frente governista; o destino incerto do PSD; a solução encontrada pela esquerda; e mais

Divulgação

O manifesto e a disputa interna

Em março, a União Progressista (UP, União Brasil + PP) lançou um manifesto a favor da reeleição do governador Ricardo Ferraço (MDB). “O Espírito Santo não precisa de improvisações nem de atalhos retóricos”, dizia um dos trechos. Corta para o atual mês de julho: a federação, liderada no Estado pelo presidente da Assembleia Legislativa (Ales) Marcelo Santos (União) e pelo deputado federal Da Vitória (PP), demonstra descontentamento dentro da frente ampla governista, a ponto de fazer conversas com o deputado federal Evair de Melo (Republicanos), de oposição. Não por conta de um desacordo programático, e sim diante da possibilidade de não conseguir indicar o vice na chapa de Ricardo. Ok, as parcerias políticas também implicam na abertura de espaço para as lideranças de parte a parte. Mas vamos combinar que a defesa de um “projeto de Estado”, como havia sido colocado no manifesto, parece ter importância secundária nas atuais discussões em torno da chapa majoritária governista.

Vidigal quer?

Os prefeitos de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), e de Barra de São Francisco (noroeste do Estado), Enivaldo dos Anjos (PSB), têm articulado a indicação de Sérgio Vidigal (PDT) como vice na chapa de Ricardo Ferraço. De fato, o ex-prefeito da Serra tem muito mais capital político do que os nomes que teriam sido apontados pela UP: do União Brasil, Joelma Costalonga, secretária da Casa dos Municípios da Ales; e do Progressistas, Capitã Andressa, do Corpo de Bombeiros; o deputado federal Amaro Neto; o vereador de Vitória Camillo Neves; e o empresário Rodolfo Mai. Acontece que o próprio Vidigal não tem demonstrado interesse na vaga, tornando menos provável que a articulação dos prefeitos prospere. Mas tudo é possível…

Vai pra onde, PSD?

No terreno da oposição, também há instabilidades à vista. Depois de ser colocado de escanteio na aliança entre Partido Liberal (PL) e Republicanos, o Partido Social Democrático (PSD), que havia anunciado apoio ao pré-candidato a governador Lorenzo Pazolini (Republicanos) em abril, “voltou pra pista” e passou a dialogar com os demais pré-candidatos, até mesmo com o deputado federal Helder Salomão (PT). O problema é que a sigla, presidida no Estado pelo prefeito de Colatina (noroeste), Renzo Vasconcelos, quer “espaço nas majoritárias”. O PL não aceitou o deputado estadual Serginho Meneguelli como pré-candidato a senador nem pintado de verde e amarelo. No grupo governista, seria possível acomodar Serginho. Mas, a essa altura do campeonato, Rose de Freitas (MDB) já se articulou para pegar a segunda vaga como pré-candidata a senadora do bloco – a outra está garantida para Renato Casagrande (PSB). E ainda existe o “fator Paulo Hartung” – o ex-governador, uma das lideranças do PSD, não é querido pelos bolsonaristas e muito menos por Ferraço e Casagrande. No fim das contas, o PSD acabou isolado. 

A solução da esquerda

No campo progressista, também existem instabilidades em termos de alianças. O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) decidiu apoiar Helder Salomão para a disputa pelo Governo do Estado. Já a Rede Sustentabilidade, com a qual os psolistas formam federação, quer ficar na frente ampla governista. A solução encontrada? Liberar cada partido para agir como bem entender e não se coligar com ninguém. Assim, o Psol garantiu o registro da candidatura de Professor Fabian para o Senado (que, inclusive, não foi abraçado pelo PT e seus aliados). As duas siglas estarão juntas apenas no apoio às reeleições dos petistas Fabiano Contarato para senador e Lula para presidente, além de Camila Valadão (Psol) para deputada estadual. Foi o arranjo possível, mas, passado o processo eleitoral, os dois partidos terão que discutir a relação seriamente, tendo em vista que não conseguem falar a mesma língua há um bom tempo.

Convenções feitas

Até a próxima quarta-feira (5), prazo final para realização das convenções partidárias visando às eleições de outubro, muita coisa deverá acontecer. Por enquanto, do bloco governista, Podemos e Partido Socialista Brasileiro (PSB) já fizeram o dever de casa. Da oposição, o pequeno partido Democrata anunciou apoio a Pazolini. O Novo lançou o vereador de Vitória, Leonardo Monjardim, como pré-candidato a senador, mas ainda não divulgou o que vai fazer com relação às pré-candidaturas a governador. Monjardim é simpático a Maguinha Malta (PL) para o Senado e a Lorenzo Pazolini para o governo, mas as conversas vão se estender por mais alguns dias. O partido Missão oficializou a candidatura do engenheiro civil Breno Barcelos ao Governo, em convenção realizada na quarta-feira (22). É o único pré-candidato oficialmente convencionado inscrito até agora para o Executivo estadual.

Convenções previstas

A convenção da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) está marcada para quinta-feira (31), e a da Federação Psol-Rede, para o dia seguinte. No sábado (1º), pela manhã, será realizado o encontro do PL e, no mesmo dia, à tarde, o do Avante, que tem o senador Marcos do Val como pré-candidato à reeleição. O Democracia Cristã (DC), que sustenta a pré-candidatura de Callegari a senador, mudou a data: seria na segunda-feira (27), passou para a próxima terça-feira (4). O último dia promete: serão as convenções do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), da UP e do PSD.

OAB-ES a favor da Justiça gratuita

A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES), Erica Neves, publicou vídeo nas redes sociais nessa terça-feira (28) criticando o Projeto de Lei 2.239/2022, tramitando no Senado Federal, que condiciona a concessão da gratuidade da Justiça a pessoas com renda líquida mensal de até dois salários mínimos ou a beneficiários de programas assistenciais do Governo Federal. A OAB-ES entende que o novo critério pode limitar o acesso ao Poder Judiciário e defende que permaneça a análise individualizada de cada caso para a concessão do benefício. Erica afirmou que foram enviados ofícios aos deputados federais capixabas pedindo a defesa da manutenção das regras atuais.

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