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Delenda icebergs do mal

A metáfora do iceberg se ajusta perfeitamente aos políticos brasileiros, ao modus operandi das empresas e até ao comportamento de simples cidadãos recém-libertos da malha da pobreza: todos querem se dar bem, ficando com a cabeça acima da superfície, se possível sem pagar tributo ao governo e sem ficar devendo favor ao vizinho.
 
Nada disso é possível. Vivemos num mundo gregário, no qual uns dependem dos outros.  Já que temos governo, algum tributo é preciso pagar para que as coisas funcionem. E alguém sempre vai se dar mal, pois essa é a lei natural da vida.
 
A metáfora do iceberg existe portanto  para lembrar que, tal como o bloco de gelo que se desprende das calotas polares e vai derretendo lentamente enquanto singra sem rumo pelos oceanos, a vida das pessoas, das empresas e dos governos vai se desmanchando inexoravelmente.

 

Governantes reeleitos não vão além de dois mandatos. Parlamentares reeleitos podem ficar nas câmaras legislativas por duas ou três décadas, mas serão devorados pelo tempo, enquanto migram ideologicamente da esquerda para o centro e deste para a direita.Até os juízes, que são vitalícios, desaparecem. 
 
Raras empresas ultrapassam os 100 anos de existência. A maioria é vencida pelo obsoletismo. Ou por disputas de herdeiros. Umas se deixam captar nas malhas do Fisco. Outras se enrolam em cartéis e empreitadas viciadas. 

 

Já não nos surpreende saber que as maiores empreiteiras do Brasil, Camargo Correa, Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez estão sob o jato legal do Ministério Público e, a partir de agora, passarão por uma devassa do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE. Como blocos de gelo, caminham para o desaparecimento, a menos que saibam se reinventar.
 
Resta uma observação sobre o segundo governo Dilma, que gastou 25% de seu mandato numa luta tremenda para provar sua legitimidade. Parece que agora, em 2016, a coisa vai começar a andar pra frente novamente. Tomara.
 
Não se deve lamentar o desemprego e a inflação, ambos atingindo 10%, se esse for o preço a pagar pela retomada moral do país.
 
O recuo econômico não será nada se a partir de 2016 os brasileiros puderem se orgulhar de suas instituições e de seus representantes no poder. 

 

É fundamental derreter os icebergs malignos que atrapalham a vida de todo mundo.     
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
 
Em terra de cego quem tem um olho foge do rei.
 
Millôr Fernandes

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