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Do desastre ambiental ao desastre social

O desastre ocorrido recentemente na região Sudeste, que atingiu a bacia do rio Doce, não afetou apenas o meio ambiente, mas diretamente a vida de milhares de pessoas que residem no seu entorno e que sobrevivem da água dele e, segue provocando “estragos”.
 
O pior efeito do desastre foi, sem dúvida, o de ceifar vidas, atingindo famílias, destruindo casas e outros bens.
 
O desastre também afetou a rotina e a vida de pescadores, que de geração em geração, aprenderam e vivem deste ofício e que provavelmente, nunca haviam pensado antes em seguir outra profissão como “ganha-pão”. Do dia para a noite viram a fonte de seu sustento enlameada por resíduos vindos de empresas de mineração.
 
Numa estimativa rápida, são mais de cinco mil funcionários da mineradora Samarco em férias coletivas, representando cinco mil famílias e totalizando, aproximadamente, 15 mil pessoas, que estão afetadas pelo “fantasma da demissão”, potencializada pela crise econômica que enfrentamos.
 
Sem a pesca não há receita, sem trabalho também não há, e o sustento de milhares de famílias fica ameaçado por este desastre ambiental e provocando um dano secundário, também com dimensão de desastre, só que de cunho socioeconômico.
 
Como saldar esta dívida com tantas famílias afetadas? As multas e indenizações aplicadas às empresas serão suficientes? E sendo essas primeiramente pagas ao governo para depois serem repassadas às vítimas, quanto tempo demorará a chegar ao seu destino? Serão suficientes?
 
Enquanto isso, famílias estão abrigadas em locais que não são suas próprias casas, trabalhadores estão sem saber o que fazer para produzirem e se sustentarem, outros ameaçados pelo desemprego, muitos sentem risco na qualidade da água que consomem além dos que estão com dificuldade para vê-la chegar a suas casas. E como o rio corre para o mar, até ele está sendo atingido, ampliando o número de afetados.
 
Os turistas, que já estavam com dificuldade financeira para custearem as viagens de férias em função da crise, agora, temem a lama nas regiões afetadas, com isso, atinge a hotelaria, o comércio, os bares e restaurantes das regiões, somando mais desemprego ou menos oportunidades de emprego.
 
A atenção está voltada para o prazo e o valor que serão destinados para elaborarem e colocarem em prática um plano de recuperação integral dos danos, partindo da recuperação da qualidade da água e a partir dela, da vida no entorno do rio, mas pouca atenção está sendo dada ao impacto psicossocial. Quanto será necessário para superar o trauma da experiência vivida pelos sobreviventes, para superarem o luto e o explicarem aos filhos? Quem atuará na ressinificação do trabalho para os pescadores? O apoio psicossocial para as famílias é imprescindível, além do apoio financeiro.
 
O tempo está passando e as famílias que perderam familiares, casa, carro, estão em sofrimento, sem receita e aguardam a solução para os seus problemas. Os pescadores veem o rio diariamente e nele enxergam um futuro “turvo” e sombrio.
 
O desastre ambiental está consumado, então, é preciso cobrar maior agilidade dos responsáveis por ele, a fim de iniciarem o processo de reversão aos danos causados, tanto ambientais quanto econômicos e sociais, porque, afinal, o tempo não para.
 
É necessário envidar esforços para o fechamento deste ciclo, para que as vítimas possam recuperar o seu equilíbrio e a vida poder seguir o seu rumo.
 

Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,Educadora Financeira, membro da ABEF – Associação Brasileira de Educação Financeira, palestrante, consultora, colunista do Portal EduFin www.edufin.com.br

https://sites.google.com/site/saudefinanceiraivanamzon/

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