No ano passado, chamou a atenção do mercado político a postura do procurador-chefe do Ministério Público Estadual (MPES), Eder Pontes, que defendeu a criação de 2016 cargos comissionados no órgão ministerial. Pontes enfrentou, pela imprensa, o governador Paulo Hartung (PMDB), que defendia cortes profundos em todas as instituições do Estado para reforçar um cenário de crise.
Naquele momento, o enfrentamento sugeriu um ideia de crise entre Pontes e Hartung e alguns membros do MPES até partiram para defesa do governo, para evitar que o clima piorasse. Depois disso, Hartung e Eder Pontes posaram juntos para fotos para mostrar que estava tudo bem.
Agora, o presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM) usa o mesmo expediente de espernear via imprensa contra o governador, falando da falta de diálogo com o Executivo e cobrando compromissos que foram assumidos com ele ainda na eleição e não cumpridos.
Embora as duas lideranças tenham trilhado o mesmo caminho para expor suas insatisfações, há uma diferença muito grande entre as motivações incutidas em suas falas. Sem entrar no mérito da criação de cargos no MPES, a coluna entende que o procurador-geral foi defender o interesse de sua instituição, tentando mostrar para o governador que quem conhece as necessidades do Ministério Público Estadual não é o chefe do Executivo. Aliás, não custa lembrar que Pontes foi eleito e reeleito à frente do MP justamnete pelo seu perfil corporativista.
Mas, Ferraço, não. Ele foi cobrar contas pessoais e deixa transparecer que pode usar a Assembleia como um instrumento para dificultar a vida do Executivo. Os deputados estaduais no início de 2015 votaram nele, acreditando que ele teria mais condição de fazer a interlocução com o governo e a defesa do Parlamento.
Nas declarações de Ferraço na entrevista ao jornal A Gazeta, fica evidente a intenção de usar a Assembleia para pressionar o governo. Mas, diferentemente do que aconteceu no MPES, na Assembleia os deputados não vão topar. Um deles deixou bem claro: “Se ele negociou mal, o problema é dele”.
Fragmentos:
1 – Dizem que quando Theodorico Ferraço diz que não está querendo dizer sim e vice-versa. Por essa lógica, quando diz que não quer conversa com Hartung, na verdade quer sim.
2 – Os vereadores de Vila Velha estão irritados com o comentário que circula nas redes sociais de que estariam recebendo “jetom” para comparecer às sessões extraordinárias que estão acontecendo na Casa. Eles refutam a informação.
3 – O deputado federal Max Filho (PSDB) retomou na última segunda-feira (11) os encontros semanais do Dispensário São Judas Tadeu, na Prainha, em Vila Velha.

