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Estado ausente

Dentro da lógica do “quem pode mais chora menos”, já faz um bom tempo que as classes mais abastadas da sociedade, percebendo a fragilidade do Estado, passaram a investir na sua própria segurança. Foi essa necessidade, a luta diária pela sobrevivência, que aqueceu o mercado nessa área nos últimos anos. 
 
Essa expectativa de ser a próxima vítima impulsionou os negócios das empresas especializadas em segurança, os serviços personalizados de guarda-costas, os carros blindados e a indústria de armas. Vêm se dando bem também as empresas de tecnologia, que se encarregaram de criar uma verdadeira parafernália, que vai de câmeras de vídeomonitoramento a sofisticados sistemas de alarme. O mercado que já servia empresas passou a se expandir também entre os civis.
 
Mas comprar segurança nunca foi barato. Um “luxo” que sempre foi restrito às elites. Mas a violência tem deixado os cidadãos tão vulneráveis, que a classe média também já entendeu que se quiser se sentir um pouco mais segura terá que pagar por esse serviço. De outro lado, o mercado também percebeu que há um espaço a ser ocupado no vácuo deixado pelo Estado, e é possível desenvolver produtos e serviços para todos os bolsos.
 
Reportagem publicada no jornal A Tribuna desta segunda-feira (13) mostra que o cidadão da classe média, que já se conformou com a ausência do Estado, passou a contratar uma nova modalidade de segurança — o chamado serviço de apoio comunitário. 
 
Trata-se de uma subatividade, geralmente amadora, feita por pessoas que também estão buscando uma oportunidade para ganhar dinheiro com a crise. O apoio comunitário funciona como um paliativo, dentro da lógica “melhor isso do que nada”. 
 
Para os empreendedores de ocasião, o serviço de segurança privada se revela como mais uma ideia criativa para driblar a crise. No caso do cidadão que contrata o serviço, as empresas informais de segurança podem ser encaradas como uma solução acessível ao orçamento para garantir um pouquinho de segurança, nem que seja apenas uma sensação subliminar. 
 
Ora, o crescimento desse tipo de serviço é o atestado inconteste de que o Estado fracassou. Não adianta o governador Paulo Hartung (PMDB) maquiar a realidade com campanhas publicitárias bem produzidas que enaltecem as sucessivas quedas dos índices de homicídios nos últimos anos. 
 
A estratégia de marketing não pode esconder o corte linear que o atual governo promoveu nas áreas essenciais (incluindo a segurança) como parte da política de ajuste fiscal.
 
Mais que dados estatísticos (suspeitos) e propagandas vistosas, o que importa mesmo é a percepção da população, que continua se sentindo vulnerável à violência a ponto de se sujeitar a serviços de segurança amadores, que só conseguem ocupar esse espaço porque o Estado é ausente.

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