Adilson Ferreira, que teria ligação com Macário Júdice, foi detido em aeroporto

O empresário Adilson Ferreira, da Serra, investigado na Operação Baest, foi preso nesta sexta-feira (8) no aeroporto internacional de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Ferreira foi denunciado pelo Ministério Público do Estado (MPES) no fim do mês passado, acusado de crimes como organização criminosa, falsidade ideológica, agiotagem e concurso material de crime.
Outras 13 pessoas foram denunciadas pelo MPES e alvos de medidas cautelares, incluindo bloqueio de valores, apreensão de veículos, dissolução de empresas utilizadas em lavagem de capitais e proibição de contratar com o Poder Público. Sob a liderança de Ferreira, eles participariam de esquemas para a ocultação de bens oriundos de atividades ilícitas em empresas de fachada.
De acordo com a denúncia, a qual Século Diário teve acesso, os demais acusados são: Thabita Santana Mattedi, Sônia Maria Da Costa, Adonis Mauro Mariano, Sideni Alves Pereira, Gustavo da Costa Ferreira, Rafael de Souza Abade, Cláudio Denis Barcelos Rodrigues, Rafaela do Rosário Braz das Graças, Marcos Antonio dos Santos Montarroyos, Arthur Klein Gaiotti, Luária Quirino Robadel, Jairo Ramos da Silva e Douglas Ronconi Sian. Desses, Rafael tem residência em Belo Horizonte (MG), Cláudio, em Cariacica, e Arthur, em Vila Velha. Os demais são da Serra, sendo que o paradeiro de Sideni foi colocado como “desconhecido” na denúncia.
O cumprimento dos mandados na Grande Vitória e fora do Estado foi feito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Central-MPES), com o apoio dos policiais militares do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES e apoio do Gaeco do Estado do Mato Grosso do Sul.
A ação do Gaeco realizada nesta sexta-feira é um desdobramento da Operação Baest, investigação da Polícia Civil sobre o crime organizado, que teve as suas primeiras medidas judiciais públicas em 2025. A operação, inclusive começou a ganhar repercussão fora do Estado e extrapolou a esfera criminal, devido a uma possível conexão entre o desembargador capixaba Macário Ramos Júdice Neto, preso desde o fim do ano passado, e Adilson Ferreira.
A Polícia Federal apontou indícios de que Macário usava sua “rede de influências” para monitorar e influenciar o desfecho de processos licitatórios de interesse direto de Adilson. Isso teria ocorrido, sobretudo, em certames da Secretaria de Estado da Educação (Sedu) e em trâmites perante a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-ES).
Em dezembro passado, o delegado da Polícia Civil Romualdo Gianordoli Neto, atualmente pré-candidato pelo Republicanos, que estava no comando da Operação Baest, foi exonerado do cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). Inconformado, foi às redes sociais acusar a cúpula da Sesp e o Governo do Estado de tentar abafar as investigações, após a identificação de figuras de prestígio.
O secretário estadual de Segurança Pública, Leonardo Damasceno, e o então delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), José Darcy Santos Arruda, também foram a público para informar que Romualdo Gianordoli é alvo de investigação na Ouvidoria da PCES. Eles o acusaram de reter consigo informações sigilosas da polícia – incluindo a da ligação do empresário da Serra com Macário, que não havia sido compartilhado com as autoridades policiais competentes no curso das investigações. Posteriormente, Darcy pediu para deixar o cargo em meio a denúncias de irregularidades na polícia, alegando questões relacionadas a sua saúde.
Mas a polêmica escalou ainda mais após a identificação de trocas de mensagens entre Macário Júdice e o então governador Renato Casagrande (PSB). Apesar de interação não revelar qualquer relação com a Operação Baest, o ambiente de suspeição ficou ainda mais carregado.
Entretanto, no último dia 27, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento do pedido da Polícia Federal (PF) para investigar Renato Casagrande, por não identificar “indícios mínimos de ilícito criminal”. Por outro lado, Moraes autorizou o compartilhamento de provas da Operação Baest com os responsáveis pelo inquérito de Macário.

