A entrevista ao jornal A Tribuna neste domingo (24) do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) sobre sua desistência da candidatura à prefeitura de Vitória, dizendo-se de bem com todos, inclusive com o governador Paulo Hartung (PMDB), é um aceno de despedida de quem resolveu caminhar com os próprios pés.
Sendo assim, o caminho a seguir é ao lado do ex-governador Renato Casagrande (PSB), com quem pretende chegar realmente ao poder e compartilhá-lo, algo que jamais conheceu em mais de 20 anos na companhia de Hartung. Tendo tudo, inclusive, para levar o atual governador à lona no seu projeto de continuidade no governo. E o faz em boa hora, alcançando o governador em pleno processo de liquidação da candidatura de Casagrande na Assembleia e no Tribunal de Contas.
Do ponto de vista político de Luiz Paulo, representa o fim de uma longa servidão política a PH. Agora ele pertence politicamente a ele próprio. Juntando-se a Casagrande, não o torna um aliado ou um mero coadjuvante, mas sim parte de uma estratégia necessária para desembarcar PH do poder. Pois os dois, juntos, significam uma espécie de infortúnio político para PH.
Acostumado a decidir eleições no Espírito Santo com uma enorme antecedência, o atual governador vai ter que se adequar ao calendário eleitoral. Tendo Casagrande pela frente ou o próprio Luiz Paulo. (Lembrando, que para ajuste entre os dois, há o Senado, que também estará em disputa em 2018).
Para que nada disso aconteça, só existe uma condição: uma recaída hartunguete de Luiz Paulo. De minha parte, não creio que possa vir a ocorrer. Seria vê-lo traído por maus sentimentalismos políticos a uma convivência em que ele sempre esteve em plano inferior e tratado, em muitas ocasiões, como bucha de canhão eleitoral.
Ainda mais nessa fase contemporânea da política capixaba (de passagem pela era PH), vivenciando uma verdadeira insolência à democracia. Pois vem permitindo que o governador a submeta a um regime de terror, manipulando os resultados eleitorais. Visto pelo próprio Luiz Paulo como um regime bonapartista.
Também fazem parte desse processo as eleições municipais marcadas para logo mais (2016), quando estará em jogo a escolha do prefeito de Vitória, em que tecerão armas Luciano Rezende (da cota de Renato Casagrande) e Amaro Neto (da cota de o Hartung).
Mas a disputa é, no entanto, uma mera alegoria às eleições de governo marcadas para 2018. Pois é lá em que Luiz Paulo estará juntando forças a Casagrande, para livrar o Espírito Santo do continuísmo de PH.
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