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Quem é que manda?

O episódio envolvendo o presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM) em um escândalo de fraudes em prefeituras e o posterior parecer do procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, pode complicar ainda mais o duro jogo de xadrez que Ferraço e Casagrande vêm jogando desde o início de 2011 com vistas à sucessão de 2014.

Ferraço parece ter uma obsessão pela presidência da Assembleia e Casagrande nunca foi o maior fã da ideia. Essa tentativa nos últimos dias de passar a ideia de que os dois estão juntos para sempre não convence pelo histórico recente de embates entre os dois.

Desde o início do mandato de Casagrande há problemas para acatar os desejos de Ferraço. Ele colocou o nome na disputa ainda na primeira eleição, fez manobras e tinha a maioria, mas o governador conseguiu esvaziar sua candidatura e emplacou o nome de Rodrigo Chamoun. Aliás, foi o próprio Ferraço que lançou Chamoun à presidência e fez campanha para ele, quando percebeu que não teria chances, com isso, conseguiu a vice-presidência da Casa.

Com a ida de Chamoun para o Tribunal de Contas, Ferraço, na condição natural de vice, assumiu e convocou eleição para o mandato tampão. Ele não era o preferido do governador, que tentava emplacar Atayde Armani (DEM). Ferraço bateu mais forte na mesa e conseguiu a eleição praticamente no grito. Mas aquela era uma situação provisória.

A ideia era ficar à frente da Assembleia em 2013 e 2014, participando do jogo da eleição estadual. Para isso, pressionou o governo com declarações e críticas na imprensa. Acaboou conseguindo passar a PEC que lhe garantira a reeleição.

O comportamento de Ferraço, antes da eleição de 2012 o colocou em uma posição de negociação muito forte. Agora aliado de Paulo Hartung ele demonstrava um poder de articulação forte e uma sensação de poder negociar de igual para igual com o governador. Ao mesmo tempo, ele fortalecia sua base de apoio dentro da Assembleia com uma política simpática e corporativista com os demais deputados.

Mas o resultado das urnas em outubro diminuiu o poder de fogo de Ferraço, seu companheiro de campanhas, Paulo Hartung, também saiu menor da eleição, enquanto Casagrande figurou como o grande vencedor do pleito.

Isso mudou a conversa de figura, agora menos agressivo, Ferraço não tinha mais a mesma bravura, mas contava com o apoio interno na Assembleia. Foi costurado, então, um acordo entre o Executivo e o Legislativo para que Ferraço comandasse a Casa, já que, desgastado, seria mais fácil controlá-lo, se é que isso é possível.

Com o episódio da Derrama, Ferraço parecia estar perdido, tanto no que se referia à sua reeleição para a Assembleia quanto no contexto judiciário. Mas ele mostrou que tinha uma carta na manga e saiu de perseguido político da história com a mãozinha do procurador-geral de Justiça, Eder Pontes.

Agora a Assembleia vai reelegê-lo endossando uma situação totalmente perigosa para a imagem do Legislativo, que pode sair muito mal da história dependendo dos próximos capítulos dessa novela.

A dúvida do mercado político hoje é: como Ferraço estará na mesa de negociação no próximo ano como liderança imbatível do Estado, blindado por um sistema que não se sabe bem o que pretende ou como um aliado ferido que precisa de apoio. Tudo vai depender dos próximos movimentos desse jogo que só vai terminar em outubro do próximo ano.

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