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Norma Ayub anuncia desistência de pré-candidatura a deputada estadual

Primeira-dama de Cachoeiro não pode se candidatar devido a parentesco com governador

Michel Jesus/Câmara dos Deputados

A primeira-dama de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Norma Ayub (PP), anunciou nesta quarta-feira (5) que desistiu de se candidatar a deputada estadual nas eleições deste ano. O motivo é o parentesco com o governador Ricardo Ferraço (MDB), que é filho do marido dela, o prefeito Theodorico Ferraço (PP), inviabilizando candidatura – situação abordada por Século Diário em matéria de janeiro deste ano.

“Quero dizer que essa decisão tem um significado muito maior. Quem me conhece sabe que, ao longo da minha vida pública, o mais importante nunca foi ocupar cargos, e sim cuidar das pessoas. (…) Hoje eu vivo uma missão diferente, igualmente importante: estar ao lado de Ferraço na reconstrução de Cachoeiro”, afirmou Norma em vídeo publicado nas redes sociais. Ela também relembrou a trajetória como prefeita de Itapemirim (2005-2012) e deputada federal (2017-2022).

De acordo com a Constituição Federal de 1988, “são inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição”. Assim, quando Ricardo Ferraço assumiu o Governo do Estado, em abril deste ano, configurou-se para a primeira-dama de Cachoeiro a chamada “inelegibilidade reflexa”.

Segundo o advogado Marcelo Nunes, especialista em Direito Eleitoral ouvido por Século Diário em janeiro, o objetivo da regra é evitar o uso da máquina pública para eleger candidatos. Uma eventual candidatura de Norma Ayub poderia gerar problemas para toda a chapa de deputados do partido. 

“Ela poderia até ser considerada como uma candidata ‘laranja’. Então, não só a candidatura dela, como de toda a chapa do partido, correria o risco de ser impugnada. Mesmo que ela não seja eleita, outro candidato eleito pela sigla poderia perder o mandato”, explicou Marcelo. 

Mesmo assim, o grupo de Theodorico Ferraço ainda apostava que a situação poderia ser contestada judicialmente, até porque Norma Ayub era considerada alguém com grande capital político. Não se reelegeu para deputada federal, mas conquistou 37,9 mil votos em 2022. No fim das contas, a prudência falou mais alto.

Reduto eleitoral cachoeirense

Em 2022, quatro políticos com base eleitoral em Cachoeiro de Itapemirim conseguiram se eleger para deputado estadual: Allan Ferreira (Podemos), Callegari (DC), Dr. Bruno Resende (União) e o próprio Theodorico Ferraço, que deixou o mandato pela metade para assumir o quinto mandato na Prefeitura de Cachoeiro. Apenas Allan tentará reeleição; Callegari vai se candidatar a senador, e Resende, a deputado federal.

Está em aberto, portanto, um espaço importante para candidaturas oriundas da principal cidade do sul do Estado. Entre as mais próximas do grupo ferracista está a do vereador Vandinho da Padaria (PSDB), mais votado para a Câmara Municipal em 2024. Também vereador, Brás Zagotto tinha sido exonerado do cargo de secretário municipal de Limpeza Urbana por conta das eleições, mas não foi colocado nas chapas eleitorais do Podemos, seu partido. Já a vereadora Renata Fiório (PP), ex-secretária municipal de Saúde, se coloca como pré-candidata a deputada federal.

Os vereadores do Partido Liberal (PL) Coronel Fabricio e Creone da Farmácia também vão disputar cadeiras na Assembleia Legislativa (Ales). O lançamento da pré-candidatura de Fabricio, realizado na sexta-feira (31), contou com as presenças de Magno e Maguinha Malta, além do pré-candidato a governador Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Do Partido Socialista Brasileiro (PSB), o ex-prefeito Victor Coelho, que ocupou por pouco tempo o cargo de secretário estadual de Turismo, também é um nome forte de Cachoeiro para a disputa de deputado estadual. Lorena Vasques, ex-secretária da gestão de Victor que se candidatou a prefeita em 2024, vai disputar vaga de deputada federal.

Outro nome importante de Cachoeiro para disputa por vaga na Assembleia Legislativa é o do ex-vereador Léo Camargo (União), segundo colocado na disputa pela Prefeitura de Cachoeiro na eleição passada. Bolsonarista de carteirinha, acabou sendo “convidado a se retirar” do PL no início do ano, em meio a disputas internas.

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