Oficialmente, o PT do Espírito Santo se reúne no sábado (9) para discutir conjuntura política e o processo eleitoral de 2016 e seu presidente, o ex-deputado Genivaldo Lievore, diz que a questão da saída do PT do governo Paulo Hartung (PMDB) não está na pauta. Ora, como assim não está na pauta? Esse debate está na pauta do PT desde o período de transição.
Mas essa declaração do presidente do PT reflete o que é o partido hoje no Estado. O grupo do secretário de Desenvolvimento Urbano, João Coser, tem hegemonia no partido, depois de uma filiação em massa promovida pelo seus aliados.
Essa maioria dá uma tranquilidade incomoda à democracia. O grupo de insatisfeitos aponta todos os motivos que justificariam uma saída imediata do partido do governo, aliás, onde o PT nem deveria ter entrado, se levasse a sério as diretrizes da Executiva Nacional. Não faz sentido algum o partido participar de um governo eleito no palanque do então presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG).
Mas o que se comenta é que o grupo de descontentes chega à reunião do diretório, faz seu desabafo, e o grupo majoritário simplesmente ignora as críticas, já que tem a maioria. Sabe que todas as discussões que entrarem em votação serão vencidas. Mas essa vitória sai amarelada.
O PT foi historicamente construído dentro do processo de debate interno. Seus quadros, divididos em correntes, sempre promoveram encontros longos em que todos os ângulos das questões eram discutidos à exaustão. Mas isso parece ter ficado em um passado distante do PT capixaba.
Suas principais lideranças parecem mais preocupadas em manter os espaços atuais do que em construir um projeto de poder para o partido. A cúpula petista quer discutir o processo eleitoral deste ano sem avaliar o quanto a permanência no governo vai afetar a imagem do partido, principalmente agora, que o PT enfrenta um processo de impeachment da presidente.
O governador Paulo Hartung (PMDB) já começa a disparar contra a presidente Dilma e o grupo de Coser continua fazendo de conta que está tudo bem, que uma coisa não tem relação com a outra. Talvez o resultado das urnas mostre que uma coisa tem relação direta com a outra. Mas aí vai ser tarde demais.
Fragmentos
1 – A Rede está cautelosa em relação à disputa eleitoral em Vitória. O partido ia disputar a eleição com o porta-voz do partido no Estado, Gustavo De Biase, mas vai querer apostar em um quadro com mandato, no caso, o vereador Serjão Magalhães (PSB).
2 – O prefeito Luciano Rezende (PPS) enviou ofício à Câmara de Vitória colocando-se à disposição para a prestação de contas do exercício de 2015. Pelo que parece, o clima vai esquentar novamente na Casa.
3 – No próximo dia 23, o PSD realiza encontro estadual no balneário de Guriri, São Mateus, no norte do Estado. O partido está focado em lançar de 10 a 15 candidaturas a prefeito este ano.

