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Se não correrem , o bicho pega

A síndrome da rejeição baixou na classe política capixaba para evitar que Amaro Neto (SD) vença a eleição à prefeitura de Vitória no próximo dia 30. Guardou-se mágoas, ignorou-se  confrontos de outrora, até mesmo os de sempre, como entre Luciano  Rezende (PPS)  e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), dando lugar a uma estratégia para “evitar o mau maior”, a volta do populismo à política capixaba.  
Apegando-se ao que ocorreu num passado, relativamente distante, quando o radialista Solon Borges tomou Vitória, ganhando a sua prefeitura  do domínio da burguesia capixaba, alcançando-se  à condição de maior líder popular do Estado. Só não foi senador depois de governar Vitória   porque foi “furtado” no Tribunal. O que não o impediria, entretanto, de, em outro momento, ganhar à prefeitura de Vila Velha. Grande orador, líder religioso (nos tempos em que imperava à Igreja Católica), só foi contido  por um câncer na garganta. 
Não chego a querer comparar Amaro a Solon Borges, pois são duas figuras relativamente distintas, porém, vindas da mesma origem. Ou seja, do meio de comunicação. Solon quando imperava o rádio, e Amaro, que também começou no rádio, mas brilhou mesmo na televisão . 
Em comum, o pânico da chamada burguesia liberal capixaba para como figuras dessa origem popular. Verdadeiras válvula de escape eleitoral para a massa pobre se manifestar nas urnas.  O resultado das urnas no primeiro turno em Vitória já diz bem disto.  Amaro ganhou na maioria dos bairros pobres enquanto Luciano contabilizou mais votos nos bairros das elites e da classe média. 
Fora a performance de Amaro em Cariacica. O candidato a prefeito de Vitória pelo Solidariedade emprestou sua popularidade a candidato do PMDB, Marcelo Santos, em Cariacica e na Serra a Sérgio Vidigal (PDT).  Numa indicação clara  de que ele está  chegando  para ocupar o posto popular no Estado, qual seja o seu resultado na disputa da prefeitura de Vitória,  que provocou essa sofrida corrida à candidatura de Luciano,  juntando  alhos com bugalhos da vida política capixaba. Não sobra ninguém.  Todos eles  têm um pretexto para subir no palanque do prefeito, embora não passe de subterfúgio para apresentar uma justificativa ao seu  eleitorado.  Até o governador Paulo Hartung (PMDB), que criou Amaro para uso eleitoral, viu-se na condição de arrependido, liberando Lelo Coimbra (PMDB) para engrossar o bloco formado para contê-lo. 
Pois  já existe plena convicção de que Amaro, ganhando ou perdendo em Vitória, vai ficar por aí atormentando a vida deles. Em 2018, por exemplo, ele pode perfeitamente conquistar um mandato de deputado federal  e até disputar o Senado, a exemplo do que ocorreu com o Solon Borges.  
É o sutil veneno  que eles não esperavam jamais. Ainda mais num momento em que a dupla da cabeceira da política capixaba – o governador Paulo Hartung e o ex-governador Renato Casagrande-  caminha na direção do declínio.  As eleições gerais de 2018 surgem para eles como uma espécie de grand finale no que diz respeito à disputa pelo governo do Estado. 
Paulo Hartung, inclusive, já está de mudança para outra locação política: a política nacional. E para tanto precisa tão somente de um mandato de senador em 2018. Já Renato Casagrande, chamuscado do jeito que foi nas eleições municipais, onde o seu capital político reduziu-se de 22 para seis singelas prefeituras, virou dependente político do prefeito Luciano. 
Considerando que  a candidatura de Luciano, nesse segundo turno,  virou um verdadeiro refúgio para as demais figuras políticas temerosos com a possibilidade de Amaro ganhar as eleições em Vitória, não terá mais  como preservar sua aliança com Casagrande. Ele ficou muito endividado  politicamente  para poder embarcar numa candidatura ao governo.  
Ainda mais levando-se em consideração que é Amaro quem está produzindo toda essa situação. Ganhando ou perdendo, Amaro produzirá  um  terremoto na política capixaba, num momento um tanto propício para o surgimento de novos valores para depois de 2018. Quem serão eles? Diria, que, por hora, ainda é uma incógnita. Mas com a certeza encontrará pelo caminho Amaro com todos o rótulos depreciativos que colocaram nele e que vão do Tiririca, palhaço, querendo fazer dele uma erva daninha da política capixaba. Não passando, contudo, de um teatro de monstros do qual as elites capixabas se utilizam novamente para impor a lógica dos nascidos para obedecer, sujeitando-se aos nascidos para mandar.  

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