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Solução caseira

Paulo Hartung (PMDB) continua fingindo que não é com ele, mas o governador se torna reincidente na Lava Jato ao surgir no inquérito da Polícia Federal como um dos destinatários de parte do dinheiro que teria sido desviado das obras da Arena das Dunas, em Natal (RN), numa manobra do DEM com a construtora OAS. Segundo o inquérito da PF, a campanha do peemedebista ao governo do Estado em 2014 teria recebido R$ 800 mil dessa negociata com a empreiteira. 
 
Foi para dar explicações sobre esse dinheiro que o governador foi “convidado” a comparecer à PF. Em vez de prestar os esclarecimentos na sede da PF em Vila Velha, preferiu ir para Brasília, com o intuito de abafar o caso. Mas o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, não deixou escapar o fato.
 
Após vazamento, PH repete a estratégia usada em março último na delação da Odebrecht. À ocasião, o delator Benedicto Júnior afirmou ter repassado mais de um milhão a PH via “caixa 2”. Tratando o relato como absurdo, ele disse simplesmente que a denúncia “não parava de pé”. Desta vez mandou o advogado falar que o dinheiro entrou legalmente e que as contas de campanha de PH foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. 
 
Para se manter no comando do processo eleitoral de 2018, a estratégia de PH é desdenhar as denúncias que vêm na esteira da Lava Jato. Estratégia, aliás, que vem sendo adotada por outros alvos da operação país afora. Falta, porém, combinar com o eleitor, porque não se sabe como as urnas vão reagir aos candidatos que trazem na testa o selo da Lava Jato.
 
Esses fatos também podem servir de munição aos palanques adversários. Hoje, pode-se dizer, a única liderança com os dois pés fincados no campo da oposição é o deputado estadual Sergio Majeski, que ainda não sabe que cargo disputará em 2018. De qualquer maneira, o problema vai para dentro do PSDB, que é assediado por PH, que ainda não desistiu do projeto de voltar para o partido.
 
Admitindo PH como candidato à reeleição, essa situação se complica dentro do ninho tucano. Há um grupo grande dentro do PSDB discutindo a candidatura de Majeski. Os entusiastas da candidatura do deputado o veem como o “fato novo” na política. São os que entenderam que hoje só o PSDB tem um candidato realmente novo nas mãos, e não pode desperdiçar essa chance.
 
De outro lado, se PH não disputar a reeleição, não precisa necessariamente sair do PMDB. Nesse cenário, ele pode criar as condições para trabalhar a candidatura do vice-governador  César Colnago (PSDB). Nesse caso, PH apostaria na lealdade de Colnago. Ele sabe que o tucano não é um hartunguete de carteirinha, mas sempre honrou seus acordos políticos. 
 
Colnago, dependendo do cenário que se apresentar mais à frente, pode ser uma aposta que oferece pouco risco a PH. O tucano poderia ser a garantia de que seu mandato não seria esquadrinhado. Em poucas palavras, não teria aquele expectativa do eleito passar o governo do antecessor a limpo. E tem muita coisa vulnerável nesse espólio. Não podemos esquecer que PH já evitou que seus dois primeiros mandatos fossem passados a limpo graças ao pacto de continuidade firmado com Renato Casagrande (PSB).
 
Ao mesmo tempo, apostar em Colnago seria uma estratégia de PH para tirar a candidatura de Majeski do seu caminho, contrariando os planos hoje de uma fatia importante do PSDB. 
 
A opção por Colnago fortaleceria também a candidatura do senador Ricardo Ferraço, fechando no PSDB os dois cargos majoritários que poderiam ser almejados por Sergio Majeski. Sem contar que Majeski e Colnago não afinam os bicos. O episódio da prestação de contas na Assembleia em que o vice-governador foi com virulência para cima do deputado, para defender o governador, parece ter tornado essa relação prejudicada. Sergio Majeski parece ver Colnago à semelhança de PH. 
 
Essas movimentações ganham força talvez porque o próprio Majeski ainda não tenha dimensão da proporção que poderia tomar sua candidatura. Não é por acaso que PH, sempre atento a ameaças que podem atrapalhar seus planos, dedica hoje boa parte de suas forças na estratégia de neutralizar politicamente Majeski. 
 
Ele sabe que o movimento de apoio à candidatura de Majeski dentro do PSDB está crescendo. Lideranças importantes do partido já compraram a ideia. Dizem que Luiz Paulo Vellozo Lucas, por exemplo, vê no tucano uma nova tendência de se fazer política no PSDB.
 
Essa visão mais progressistas de alguns tucanos deixa claro que a solução para o PSDB está dentro do próprio partido. Só não enxerga quem não quer.

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