Desde a semana passada está na rua o oportuno e necessário programa do governo do Estado contra a violência à mulher. Uma bandeira que o governador Paulo Hartung (PMDB) parece disposto a empunhar Estado adentro. Além de mostrar alguma afinidade do Palácio Anchieta, que até então se manteve afastado de uma tão grave questão no Estado, o programa pode trazer frutos eleitorais para o governador, que deve buscar a reeleição no próximo ano.
Os números alarmantes parecem não ter abalado o governo do Estado até então. Mas o assassinato absurdo da médica Milena Gottardi parece ter se transformado em um ícone de uma situação que se repete no Espírito Santo como um exemplo negativo para o País.
O sinal de alerta no Palácio Anchieta acendeu-se. Os casos de feminicídios no Estado, que já se tornaram um problema crônico e aterrorizador à sociedade, finalmente, geraram alguma movimentação governamental.
Se a situação é insustentável e tem alarmado a população cria-se então um espaço para uma nova narrativa para que o governador Paulo Hartung possa levar como bandeira para o processo eleitoral do próximo ano. É claro que o discurso do exemplo para o Brasil, do ajuste fiscal e política de austeridade caíram por terra com a crise da Polícia Militar.
Hartung pode ter conseguido retomar a narrativa para fora do Estado, mas o eleitorado capixaba, por mais que ele repita seu texto, não acredita mais nessa linha. Seus movimentos nacionais também não agradaram o eleitor capixaba e a malfadada estratégia de plantar uma ideia de disputar o governo do Rio de Janeiro trouxe impactos desastrosos na imagem interna do governador.
O cidadão comum hoje vê Hartung como o “governador dos empresários” e essa é uma imagem difícil de desconstruir, afinal seus projetos na área social são antidemocráticos e excludentes, como o Escola Viva. Neste sentido, um tema de impacto social como a violência contra a mulher pode trazer ao governador um caminho para tentar se reaproximar do eleitor. A dúvida é: será que vai dar tempo?
Fragmentos
1 – A lavação de roupa suja no grupo de conversas do PSDB parece não ter fim. As trocas de acusações entre os membros da Executiva de Vitória e as avaliações sobre o desgaste do episódio são intermináveis. No olho do furacão está o presidente do ninho tucano de Vitória, Élcio Amorim.
2 – Entre as muitas farpas trocadas entre os tucanos está uma especulação séria de que não vai espantar ninguém se o presidente do PSDB Vitória aparecer no Diário Oficial do Estado nos próximos dias, na seção de nomeações.
3 – A avaliação do deputado Sergio Majeski em uma rede social sobre as situações em que seu partido (por enquanto) se meteu é de que Aécio Neves tem feito o PSDB sangrar em nível nacional e César Colnago em nível estadual.

