quarta-feira, setembro 9, 2026
22.9 C
Vitória
quarta-feira, setembro 9, 2026
quarta-feira, setembro 9, 2026

Leia Também:

Empregados da Caixa e Banco do Brasil entram em greve a partir desta quinta

Sindibancários diz que paralisação será por tempo indeterminado no Estado

Sérgio Cardoso/ Sindibancários

Os empregados da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil entram em greve por tempo indeterminado no Espírito Santo a partir desta quinta-feira (10). A paralisação ocorre após as categorias rejeitarem as propostas apresentadas pelos bancos durante a campanha salarial. A decisão foi confirmada nesta quarta-feira (9) pelo Sindibancários/ES, que representa os trabalhadores no Estado.

No caso da Caixa, a mobilização tem alcance nacional e foi aprovada em grande parte das bases sindicais. Já no Banco do Brasil, a paralisação será parcial, porque houve estados em que os trabalhadores aceitaram a proposta apresentada pela instituição. Em outras localidades, novas assembleias ainda serão realizadas para deliberar a greve.

A situação é resultado de uma campanha salarial marcada por impasses entre os trabalhadores e as instituições financeiras. Em agosto, o Sindibancários já havia realizado mobilizações contra a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), defendendo, entre outros pontos, ganho real de 5% para a categoria e a manutenção da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) nacional.

A CCT estabelece uma base comum de salários, benefícios, direitos e garantias para bancários de diferentes estados. Para o sindicato, a preservação desse modelo é uma das principais questões em disputa nas negociações. “Nós somos a única categoria no Brasil, hoje, que temos uma convenção coletiva nacional. Então, bancários de norte a sul do Brasil têm os mesmos pisos salariais, os mesmos pisos de vale-alimentação e vale-refeição, um arcabouço de direitos e garantias que são iguais”, como explicou o dirigente sindical André Tosta durante a mobilização realizada no mês passado.

A proposta apresentada pela Fenaban acabou sendo aprovada pelos empregados dos bancos privados no Espírito Santo e pelo Bandes. No Estado, 74% dos trabalhadores dos bancos privados votaram pela aprovação, assim como 51% dos empregados do Bandes. A CCT será assinada nesta quarta-feira (9), segundo o Sindibancários, e as agências dos bancos privados devem funcionar normalmente nesta quinta.

A situação é diferente nos bancos públicos. Na Caixa, 96% dos empregados capixabas rejeitaram a proposta específica de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), enquanto 83% também votaram contra a CCT da Fenaban. No Banco do Brasil, a proposta da CCT foi rejeitada por 64% dos trabalhadores e o ACT específico do banco recebeu 72% de votos contrários. Na Caixa, um dos principais pontos de conflito é o Saúde Caixa. A proposta apresentada pelo banco prevê mudanças na forma de contribuição dos empregados e dependentes, com aumento dos valores conforme a faixa etária.

Entre as alterações rejeitadas pelos trabalhadores estão a elevação da contribuição do titular de 3,5% para até 4,5% da remuneração-base, conforme a idade; aumento da mensalidade por dependente, que poderia chegar a R$ 660; elevação do teto de comprometimento da renda familiar de 7% para 9%; e aumento da coparticipação em consultas de pronto-socorro, de R$ 75 para R$ 150. Também foi proposta a elevação do limite anual de coparticipação por grupo familiar, de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil.

Segundo o Sindibancários, o problema relacionado ao Saúde Caixa continua sendo o principal obstáculo para um acordo. A entidade afirma que a proposta ameaça princípios históricos do plano, como a solidariedade e o pacto intergeracional, além de criticar a previsão de reajustes vinculados à idade dos participantes.

Diante da rejeição expressiva à proposta e da possibilidade de uma paralisação nacional, a Caixa pediu uma nova reunião com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) nesta quarta-feira (9), em São Paulo. O encontro ocorre enquanto a greve já está prevista para começar no dia seguinte. O dirigente Ronan Teixeira, do Sindibancários/ES, que representa a base capixaba dos empregados da Caixa na Comissão Executiva dos Empregados (CEE), participa da reunião.

De acordo com o sindicato, empregados da Caixa de 128 bases sindicais rejeitaram o ACT. Em 93 delas, a decisão foi pela greve por tempo indeterminado a partir desta quinta. Outras 35 bases decidiram rejeitar a proposta, mas optar pela retomada das negociações. Nas demais, o acordo foi aprovado. O sindicato orienta os trabalhadores capixabas a acompanhar as informações divulgadas pela entidade sobre o resultado da reunião desta quarta-feira.

No Banco do Brasil, as negociações foram retomadas nesta terça-feira (8), depois que trabalhadores de diversas bases rejeitaram o ACT. A reabertura da mesa, no entanto, não alterou o cenário no Estado. Segundo o Sindibancários, o banco não apresentou avanços e manteve a proposta que já havia sido rejeitada pela categoria. A reunião serviu principalmente para esclarecimentos de pontos que haviam ficado pendentes nas negociações da semana anterior.

Um dos assuntos discutidos foi o pagamento de R$ 3 mil referente à Campanha de Adimplência 2026. Segundo o banco, aproximadamente 71,5 mil funcionários serão público-alvo do bônus, abrangendo empregados lotados em áreas de negócio e apoio. Trabalhadores das áreas táticas e estratégicas não estão incluídos.

O BB afirmou que o pagamento não corresponde à criação de uma nova meta individual. Segundo a instituição, o atingimento da adimplência já está previsto para as unidades e, caso o índice seja alcançado, todos os integrantes do público-alvo receberão os R$ 3 mil. Apesar da retomada das negociações, não houve mudança na proposta. Com isso, os empregados do BB no Espírito Santo mantêm a decisão de iniciar a greve nesta quinta-feira.

A proposta específica rejeitada pelos trabalhadores também envolvia medidas como ampliação da licença-paternidade de 20 para 35 dias, aumento do auxílio para filhos com deficiência, alterações na remuneração dos atendentes da Central de Relacionamento e criação de uma mesa específica para discutir modelos de acompanhamento da rede Diope. Entre as reivindicações que, segundo o sindicato, não foram atendidas estão a realização de concurso público, mudanças no Plano de Cargos e Remuneração e a discussão do piso salarial. A categoria também questiona o modelo de custeio da CASSI.

Sérgio Cardoso/ Sindibancários

Banestes

Com 75% dos votos, os funcionários aprovaram suspender a greve no Banestes e aprovaram a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) apresentada pela Federação Nacional dos Bancos, em assembleia realizada nesta quarta-feira (9). Mas, o Banestes ainda segue em negociação e os bancários aguardam uma proposta para o acordo específico dos empregados do banco. A próxima rodada de negociação com o banco será nesta quinta-feira (10), às 14 horas. O ACT do Bandes também segue em negociação, mas os empregados do banco aprovaram a proposta geral da Fenaban e não integram a greve anunciada para amanhã.

A mobilização atual é desdobramento de uma campanha que, para o Sindibancários, não envolve apenas o percentual de reajuste. A entidade considera que está em disputa também a manutenção de uma estrutura nacional de direitos construída pela categoria ao longo de décadas. Segundo André Tosta, a proposta dos bancos pode aprofundar diferenças entre trabalhadores a partir de faixas salariais e alterações nos benefícios.

O sindicato também questiona o argumento de que o crescimento das fintechs e dos bancos digitais justificaria a redução das estruturas físicas e do número de bancários. Para Tosta, a expansão dos serviços digitais não significa que o setor financeiro esteja enfrentando uma crise de lucratividade.

“Muitos bancos têm dito pra gente sobre o avanço das fintechs e dos bancos digitais sobre o modelo de negócios deles, que isso seria um novo agente de competição do mercado e isso está diminuindo a margem de lucratividade”, afirmou. “Quando a gente olha os dados, a lucratividade do setor financeiro não diminuiu. Ela desacelerou um pouco, mas eles não estão tendo prejuízo”, destacou.

O dirigente também criticou a transferência de parte do atendimento presencial para correspondentes bancários, casas lotéricas e cooperativas de crédito, onde os trabalhadores não estão submetidos à mesma convenção coletiva dos bancários. “Se os atendentes na lotérica, no correspondente bancário e nas cooperativas de crédito fossem remunerados, estivessem sob a proteção da convenção coletiva dos bancários, eles seriam trabalhadores mais protegidos, melhor remunerados”, afirmou.

Para o sindicato, a redução dos custos obtida por meio desses modelos contribui para a precarização das relações de trabalho. A entidade defende que o atendimento presencial continua necessário e que a discussão deve considerar também as condições dos trabalhadores que realizam essas atividades.

Mais Lidas