As discrepâncias entre levantamentos de intenção de voto; o cenário para governador e senador; alianças informais; e mais

Discrepância
Os levantamentos de intenção de voto para governador do Espírito Santo têm apresentado resultados bastante divergentes entre si. A pesquisa Real Time Big Data, divulgada na manhã desta quarta-feira (9), mostra Ricardo Ferraço (MDB) liderando em todos os cenários. No primeiro turno, alcançou 43%, contra 33% de Lorenzo Pazolini (Republicanos), 13% de Helder Salomão (PT), 2% de Breno Barcelos (Missão) e 0% de Rafael Demuner (UP). Já o instituto Atlas Intel, que divulgou levantamento há alguns dias atrás, apresentou um cenário radicalmente diferente: Pazolini com 41% dos votos válidos no primeiro turno,12 pontos à frente de Ricardo Ferraço (28,7%). Helder Salomão aparece em terceiro (18,4%), seguido de Breno Barcelos (6,8%), e Rafael Demuner (0,3%). Barcelos, em especial, ficou bastante empolgado com os números da Atlas Intel, e disse nas redes sociais que vai crescer rumo ao segundo turno. Veremos.
Metodologia
Há uma diferença clara na metodologia aplicada pelos dois institutos, o que ajuda a entender a discrepância. A Real Time Big Data faz entrevistas por telefone e formato digital, utilizando entrevistadores humanos e inteligência artificial. Foram aplicadas 1,6 mil entrevistas entre sexta (4) e terça-feira (8), com 95% de confiabilidade e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto afere cenários espontâneos e estimulados.
Já o Atlas Intel utiliza a metodologia Random Digital Recruitment (RDR), que consiste no recrutamento orgânico de eleitores na internet. O instituto afirma que esse modelo “evita o eventual impacto psicológico da interação humana sobre o respondente na hora da entrevista”, como seria no caso de aplicação de questionários presenciais ou por telefone. A pesquisa do Atlas, realizada entre 26 e 31 de agosto, tem uma amostragem menor do que a da Real Time Big Data (1.194 respondentes), margem de erro ligeiramente maior (3 pontos percentuais) e o mesmo percentual de confiabilidade, mas não apresentou levantamento espontâneo.
Placar
De acordo com o site Placar das Pesquisas, Lorenzo Pazolini apareceu liderando a disputa em cinco aferições, entre junho e agosto, e Ricardo Ferraço, em outras cinco no mesmo período – ainda não foi considerado o último levantamento da Real Time Big Data. Na média das pesquisas, Pazolini aparece pouco à frente de Ricardo no primeiro turno (36,3% a 35,7%), mas perde no segundo turno (47,9% a 52,1%). A média ajuda a avaliar a evolução das intenções de voto e as diferenças entre os diferentes institutos.
Alto índice de indecisos
Todos os percentuais apresentados até aqui correspondem às pesquisas estimuladas, ou seja, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores. Mas, na pesquisa espontânea, segundo a Real Time Big Data, 51% dos eleitores se declararam indecisos – ou seja, ainda há muito espaço para mudança no cenário eleitoral capixaba. Quem já se decidiu optou por Ricardo Ferraço (17%), Lorenzo Pazolini (13%), Helder Salomão (6%) e Renato Casagrande (1%), que na verdade é candidato a senador em 2026.
Avaliação do governo e rejeição
A Real Time Big Data mostra que a gestão do governador Ricardo Ferraço é tida como boa ou ótima por 47% dos eleitores. Na Atlas Intel, esse percentual cai para 41%. Ainda de acordo com a Atlas, 49,9% quer alguém no governo que faça uma gestão diferente da atual, apesar de a administração de Renato Casagrande ter sido aprovada por mais de 60% dos entrevistados. Lideranças do Partido dos Trabalhadores, incluindo o presidente Lula e Helder Salomão, aparecem entre os políticos mais rejeitados do Estado nas duas pesquisas.
Senado
Na média das pesquisas para o Senado Federal, Renato Casagrande (PSB) aparece com 41,2%, e Fabiano Contarato (PT), 23,4%. Mas o último levantamento da Real Time Big Data mostra uma fotografia mais atual. No cenário com primeiro e segundo votos consolidados, a disputa está da seguinte forma: Renato Casagrande (28%); Sergio Meneguelli (PSD, 12%); Evair de Melo (Republicanos), Fabiano Contarato (PT), Maguinha Malta (PL) e Rose de Freitas (MDB), com 9%; Marcos do Val (Avante, 5%); Leonardo Monjardim (Novo), Professor Fabian (Psol), Rodney Miranda (PRTB), 3%; e Callegari (DC, 1%). Brancos e nulos foram 4%, e 5% não souberam ou não quiseram responder.
Callegari em baixa
No caso do Senado, chama a atenção o mau desempenho do deputado estadual Callegari. Em que pese o fato de sustentar uma candidatura independente em um partido pequeno, ele tem apresentado menos intenções de voto do que nomes com visibilidade política muito menor, como Professor Fabian ou até Rodney Miranda, que voltou ao Estado há pouquíssimo tempo.
No ataque
Aliás, Callegari tem feito postagens destacando “verdades” a respeito dos outros candidatos a senador. Nesta quarta-feira, ele falou de Maguinha Malta. No ano passado, o deputado também queria disputar o Senado pelo PL, mas foi barrado pelo pai de Maguinha, o senador Magno Malta. “Diferente dela, eu não tenho pai famoso e vim de baixo, vim da base política da direita”, alfinetou Callegari.
Juntos no trio
Na manifestação bolsonarista do 7 de setembro, em Vitória, Marcos do Val subiu no trio elétrico com Magno e Maguinha Malta. Entretanto, Do Val negou informações de que isso significa apoio do presidente estadual do PL ao nome dele para segundo voto. A principal chapa da extrema direita para o Senado nas eleições deste ano é formado por Maguinha e Evair de Melo
Evair com os governistas
Aliás, Evair de Melo tem se articulado com candidatos que fazem parte do campo político governista, como os deputados federais Gilson Daniel (Podemos) e Da Vitória (PP), o que pode gerar atritos com os bolsonaristas-raiz.

