Profissionais fizeram assembleia na semana passada, e nova deliberação está prevista

Professores que atuam na rede municipal de ensino de Aracruz, no litoral norte do Estado, avaliam a possibilidade de deflagração de uma greve ainda neste mês de agosto. As demandas da categoria junto à gestão do prefeito Dr. Coutinho (PP) incluem recomposição da defasagem salarial, retorno do magistério no nível 1 da carreira e combate à precarização e terceirização.
Uma assembleia para deliberar sobre o tema está prevista para acontecer no próximo dia 20, na Câmara de Vereadores. Os trabalhadores da Educação também fizeram uma primeira assembleia na última quinta-feira (6), em frente ao Legislativo.
De acordo com Carlos Duarte, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), o valor real da remuneração dos professores reduziu em mais de seis vezes ao longo dos últimos anos. Atualmente, um profissional graduado ganha em torno de R$ 3,2 mil como salário inicial em Aracruz.
Um dos motivos para essas perdas seria a retirada, no passado, do nível de magistério da carreira, que era considerado na gradação dos salários por formação. “Hoje, o professor graduado ganha o mesmo que, antes, o profissional de magistério recebia no início da carreira. A diferença entre o nível 1 [magistério] e o nível 3 [pós-graduação] chegou a ser de 70%”, comenta Duarte.
O diretor do Sindiupes acrescenta ainda que o atual prefeito, Dr. Coutinho (PP), assinou uma carta de intenções na última campanha eleitoral se comprometendo a retomar o nível 1 da tabela da carreira dos professores.
Outro ponto destacado pelo Sindiupes diz respeito à luta contra terceirizações e precarização em funções diferentes do magistério, como auxiliares educacionais, cuidadores e cozinheiros. Ainda que os professores do município estejam relativamente resguardados dessa situação, há uma preocupação com os serviços da educação em geral.
Diante das insatisfações, os trabalhadores convocaram uma manifestação para a última quinta-feira. Antes de acontecer, a gestão de Dr. Coutinho procurou o Sindiupes prometendo dialogar, de acordo com Carlos Duarte. A manifestação não ocorreu como o inicialmente previsto, mas o prefeito tampouco apareceu no local para tratar do assunto. Com isso, o movimento posicionou apenas um carro de som no local e realizou a assembleia, que resultou na aprovação de estado de greve.
“Os professores estão muito descontentes, e com razão”, afirma Carlos Duarte.

