Foram presos o prefeito Kleilson Rezende e o ex-prefeito Bruno Araújo, pré-candidato do PDT

O grupo político que está à frente da Prefeitura de Pedro Canário (extremo norte do Estado) entrou na “mira” da Polícia Federal. Nesta terça-feira (26), é realizada no município a Operação Eco da Fraude II, com dois mandados de prisão e de afastamento cautelar de “ocupante de cargo eletivo” e de servidor, 11 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares investigativas e patrimoniais, todas autorizadas pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Os nomes dos investigados não foram divulgados, mas sabe-se que os dois presos são o prefeito e o ex-prefeito, Kleilson Rezende (PSB) e Bruno Araújo (PDT), respectivamente.
Bruno Araújo ficou oito anos na Prefeitura de Pedro Canário (2017-2024), tendo sido reeleito em 2020 com 81% dos votos. Nas eleições de 2024, ele apoiou Kleilson Rezende, que foi seu vice, também eleito com 80,74%. Depois de deixar o mandato, Araújo, aliado da atual gestão estadual foi nomeado como superintendente regional de Saúde na região norte. Ele se desincompatibilizou em abril, e figurava como um dos principais pré-candidatos a deputado estadual do Partido Democrático Trabalhista.
Segundo a Polícia Federal, o inquérito se refere ao evento “XXXIV Forró da Tábua Lascada”. “A investigação identificou indícios de um esquema estruturado envolvendo agentes públicos e empresários, caracterizado por manipulação de procedimentos licitatórios, superfaturamento de contratos públicos e pagamento de vantagens indevidas, com posterior ocultação da origem dos valores”, afirmou a corporação, em nota à imprensa. De acordo com informações da Prefeitura de Pedro Canário, o evento aconteceu em agosto de 2025 e reuniu mais de 60 mil pessoas.
Ainda de acordo com a PF, as apurações identificaram: movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados; utilização de contas de terceiros e operadores para circulação de valores em espécie; existência de estrutura organizada para ocultação; e dissimulação de recursos ilícitos.
As investigações serão aprofundadas a partir das medidas cautelares, mas, ainda segundo a PF, “os fatos investigados podem configurar os crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, peculato, lavagem de capitais e organização criminosa, cujas penas, somadas, podem ultrapassar 30 anos de reclusão”.
Em 2024, pouco antes do início da campanha eleitoral, Bruno Araújo e o então coordenador de Gestão Integrada de Fiscalização Municipal, Orlando Alves Abreu, foram alvo de outra denúncia, que gerou abertura de investigação determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES). Citando a representação de crime por corrupção eleitoral e infração penal, o deputado estadual Callegari (então PL, hoje DC) acusou, no plenário da Assembleia Legislativa, o então prefeito de apresentar “propostas indecorosas” à pré-candidata do seu partido à Câmara Municipal, Elisamara Berdof Fernandes, para que “abandonasse a chapa em troca de cargos e benefícios”. Orlando foi acuaso de “ameaça e intimidação”.
Com a operação desta terça-feira, o grupo político de Pedro Canário que alcançou altíssimo percentual de votos nas duas últimas eleições municipais fica com a imagem arranhada, mesmo que as investigações ainda estejam em curso. Outro ponto a se destacar é que Bruno Araújo acabou se filiar ao PDT e vinha se colocando como um dos nomes mais promissores da chapa eleitoral do partido.
No ano passado, outros dois nomes com potencial eleitoral do PDT também passaram a enfrentar problemas na Justiça: os vereadores da Serra Saulinho da Academia e Teilton Valim, campeões de votos no município em 2024. Eles foram afastados de seus respectivos mandatos junto a outros dois parlamentares, todos acusados de corrupção.

