O trecho da avenida Leitão da Silva entre os bairros Bento Ferreira de Praia do Suá, em Vitória, amanheceu nesta quinta-feira (28) com uma intervenção urbana que critica o corte das árvores na avenida. Os locais onde restam os troncos mortos e as crateras das antigas árvores ganharam novos troncos e copas em desenhos no asfalto da avenida, simulando a sombra que as árvores exerceriam sobre o local.
A proteção do sol é um dos principais fatores que leva os moradores da região à indignação com o corte dos exemplares. Não é conhecida a autoria da intervenção.
Pelo menos oito árvores foram derrubadas no começo desta semana na Avenida Leitão da Silva, em Vitória. A prefeitura afirmou aos moradores e comerciantes da região que as árvores, entre elas castanheiras antigas, foram retiradas para a construção do corredor exclusivo de ônibus, o BRT, e que serão, ao todo, 300 exemplares.
Embora tenha anunciada como compensação o plantio de outras 800 árvores nos bairros vizinhos, a retirada das árvores gerou revolta entre a maioria dos moradores do entorno, como retrataram comerciantes do local.
Uma árvore adulta vendida para plantio chega a custar dezenas de milhares de reais no mercado. É um produto caro que a prefeitura terá de adquirir para realizar os novos plantios e que poderiam ser reaproveitados caso as árvores fossem retiradas com cuidado, como afirmam os moradores.
A Capital possui um Plano Diretor de Arborização (PDA) desde o ano de 1991, época em que organizações da sociedade civil contabilizaram 28 mil árvores no município. Desde então, a quantidade decaiu em cerca de 11%. Atualmente, restam apenas cerca de 24 mil árvores. Cabe lembrar que, enquanto a quantidade de árvores era superior em 4 mil exemplares, bairros como Jardim Camburi e a região da grande São Pedro ainda não tinham alcançado o padrão atual de urbanização.
Apesar disso, os moradores garantiram não terem sido previamente consultados. Eles só tiveram conhecimento da obra no dia em que as equipes da Prefeitura chegaram ao local para a retirada das árvores. Apesar de alguns moradores afirmarem que as árvores foram plantadas há cerca de 30 anos, sem planejamento, justificando a retirada, a maioria se manifesta contra a retirada das árvores da região, alegando que muitos dos exemplares não representavam problemas à infraestrutura local, como destruição de calçadas ou problemas com a fiação elétrica, e ainda proporcionavam sombras, amenizando a sensação térmica no local.