terça-feira, abril 14, 2026
19.6 C
Vitória
terça-feira, abril 14, 2026
terça-feira, abril 14, 2026

Leia Também:

Assembleia tem cenário propício para retomar CPI do Pó Preto

Com o início da nova legislatura, a possibilidade de a CPI do Pó Preto ressurgir na Casa é grande, mas em uma situação bem diferente de sua primeira tentativa de criação, em 2013. É que o ambiente político para a movimentação no plenário e fora dele é outro, desta vez, favorável ao processo. 
 
Em 2013, o deputado Gilsinho Lopes (PR) tentou emplacar na Assembleia Legislativa a Comissão Parlamentar de Inquérito do Pó Preto. A CPI pretendia apurar os efeitos da poluição atmosférica na Grande Vitória. Porém, para aprovar a abertura da CPI, Gilsinho precisava de dez assinaturas. 
 
Conseguiu 12 apoiadores, mas sete deputados que assinaram o pedido para a abertura do processo recuaram posteriormente, após articulação do governo do Estado e das poluidoras Vale e ArcelorMittal, o que impediu a investigação.
 
Na ocasião, o deputado afirmou que os deputados favoráveis à CPI foram “tratorados” duas vezes: primeiro pelas empresas, que adentraram a Casa para pedir a retirada da assinatura dos deputados, e segundo pelo governo do Estado, que também não tinha interesse em enquadrar as poluidoras. 
 
Desta vez o clima é diferente, já que há um interesse do Palácio Anchieta, neste início de governo, em adotar medidas de controle das emissões do pó preto. Não se sabe bem até quando o governo vai manter esse discurso e quais os reais interesses por trás dessa súbita preocupação ambiental, mas este pode ser o momento adequado para que a Assembleia entre em sintonia com as demandas da população. 
 
O Legislativo perdeu uma grande oportunidade de se fortalecer ainda em 2013, quando havia um apelo social pelo fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte. Mas, mesmo com a pressão popular forte, os deputados preferiram a submissão ao Executivo e não atenderam ao desejo popular. 
 
Se os deputados retomarem a discussão do pó preto, como já se fala nos bastidores da Casa, o Legislativo pode sair fortalecido politicamente. Como a Casa já começa sua legislatura com a imagem de quem acatou as decisões do Executivo em sua própria organização interna, poderia dar uma demonstração de força ao investigar a fundo a poluição atmosférica na Grande Vitória. 
 
Também podem ganhar os deputados com os eleitores da região, já que essa é uma das principais demandas dos moradores da região metropolitana, embora a população local seja desconfiada em relação a discursos oportunistas.  

Mais Lidas