Eleição da Câmara de Vitória: G16 segue vivo, candidatura de Dalto Neves também

As turbulências geradas pelo áudio vazado do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), no mês passado, que mostra tentativa de interferência e ameaça na eleição da Mesa Diretora da Câmara, colocaram o assunto de molho para fora dos corredores legislativos por um tempo, mas já voltou a ecoar em plenário, agora com a prefeitura sob comando de Cris Samorini (PP). As divergências sobre a data da disputa, que de acordo com o Regimento Interno ocorre em agosto, foram tema de novos discursos recentes, mais uma vez em clima de embate, protagonizado inicialmente por Dalto Neves (SD) e Luiz Emanuel Zouain (Republicanos), com outros vereadores pegando embalo em seguida. A disputa criou uma divisão interna na Casa, consolidando de um lado um grupo de 16 vereadores, o G16, que defende a manutenção da data, e outros cinco que querem que o pleito fique para depois das eleições gerais de outubro, como também articulava Pazolini. Embora Dalto Neves tenha sido o alvo do ex-prefeito no áudio, o que deixou no ar uma possibilidade de recuo, a candidatura dele à Presidência se mantém viva, assim como o G16. Enquanto isso, Luiz Emanuel insiste em dizer que esse movimento atende a “forças externas”, mas não cita nomes, e aponta “dissimulação” e falta da “verdade” dos vereadores. Para ele, realizar a disputa em meio às atuais articulações eleitorais, é “temerário”. Já os integrantes do G6 acusam o contrário e defendem a independência da Casa e, sobretudo, o cumprimento do Regimento. Dos dois lados, há aqueles que jogam, também, em favor da unidade, tornando o G16 em G21. Mas o clima…sei não, hein!?
‘Verdade’
A polêmica teve início quando Dalto inseriu em seu discurso contra a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), o relato de que foi parado nas ruas para ouvir elogios sobre o G16. “Só estou na trincheira defendendo a nossa verdade, que é o Regimento”, ressaltou, emendando uma crítica nas entrelinhas sobre interferências no processo, com citação ainda do versículo “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”…
‘Verdade’ 2
…Luiz Emanuel tratou a fala como “desnecessária”, segundo ele, porque os vereadores vinham tentando “reordenar a discussão”, e Dalto Neves “dividiu a Câmara em duas partes, mais uma vez”. Destacou que Dalto reúne as características de um nome “mais equilibrado, autônomo e independente”, que garanta harmonia, mas reforçou que o Regimento deve ser modificado, e que isso é natural do parlamento.
‘Essa gente’
Em seguida, apontou que tem “vários elementos compondo essa discussão” e está “cheio de ator político doido pra interferir aqui dentro, querendo ganhar a Câmara”. E soltou: “não quero ser derrotado por essa gente, nem por Cris, nem por Pazolini, mas por esses aí também não!”.
Nomes
Quem puxou alguns nomes foi Aylton Dadalto (Republicanos). Citou o presidente da Assembleia, Marcelo Santos (União), garantindo que “nunca, em momento algum, chegou para esse vereador para influenciar”, assim como o governador Ricardo Ferraço (MDB), e “muito menos, Cris Samorini”. Enfatizou que desde 2014 a eleição é em agosto, e que “reestabelecer a verdade é necessário”.
Nomes II
O discurso teve eco do vereador João Flávio (MDB) sobre o governador: “sou do MDB e ligado a Euclério [Sampaio, prefeito de Cariacica], e nunca me ligaram para falar nada”. O G16, completou “não é contra ninguém, é um movimento nosso, consolidado, para eleger Dalto, e tem que respeitar”.
Reação em cadeia
Do mesmo lado, também se manifestaram Camilo Neves (PP), Professor Jocelino (PT) e André Bradino (Podemos). Camilo disse que “está no barco até o final” e que “interferências não partiram do nosso lado, é de conhecimento de todos”; Jocelino provocou para que os contrários colocassem em votação um novo Regimento; e Brandino disse que se tiver um movimento para desarticular o grupo, “vai ter que enfrentar os 16”.
E quem são os 16?
Tem gente tanto da base quanto da oposição. Além dos citados acima, Karla Coser (PT), Ana Paula Rocha (Psol), Dárcio Bracarense (PL), Mauricio Leite (PRD), Mara Maroca (PP), Aloísio Varejão (PSB), Bruno Malias (PSB), Pedro Trés (PSB), Baiano do Salão (Podemos) e Luiz Paulo Amorim (PV).
Segue…
Fora desse grupo, junto com Luiz Emanuel, estão o atual presidente, Anderson Goggi, e o primeiro secretário da Mesa, Davi Esmael, ambos também do Republicanos; e ainda o líder do Governo, Leonardo Monjardim (Novo), e Armandinho Fontoura (PL).
‘Paz e amor’
Monjardim, vale o registro, também se manifestou pela unidade dos vereadores e disse que Dalto tem seu “apreço e carinho”, e não teria “dificuldade nenhuma em caminhar junto”, mas defendeu “tranquilidade e equilíbrio”, e que “em clima de guerra, todo mundo perde”. Para fechar, avisou que “vai trabalhar para que não tenha G16, e sim G21”.
Pontes
O próximo presidente da Câmara, é bom lembrar, estará na linha de sucessão direta de Cris Samorini (PP), e os interesses nessa configuração certamente são muitos. A participação da prefeita no processo ainda está em aberto, mas ela já iniciou sua gestão tentando se aproximar dos vereadores, na tentativa de desfazer as barreiras e insatisfações deixadas por Pazolini. De olho nas cenas dos próximos capítulos!
Nas redes
“Terça-feira de caminhada na feira de Cobilândia, em Vila Velha, com muita conversa, risada e aquele contato direto com quem faz a cidade acontecer. Entre uma barraca e outra, ouvimos de tudo: palavras de apoio, incentivo e histórias que mostram o quanto Vitória avançou e ainda pode avançar mais. É esse retorno das pessoas que motiva e dá ainda mais força pra seguir em frente (…)”. Pazolini em campanha eleitoral, desta vez sem a presença do prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB).

