Reeleição de Camila Valadão é a prioridade; vereadores também estarão na disputa

O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) tem 16 nomes cotados no Espírito Santo como pré-candidatos para as eleições de 2026. A deputada estadual Camila Valadão vai tentar a reeleição, e os outros dois parlamentares do partido no Estado também estarão na disputa: os vereadores Ana Paula Rocha (Vitória) e Thiago Peixoto (Serra).
A reeleição de Camila Valadão é a prioridade do partido no Espírito Santo. Em 2022, Camila recebeu 52,2 mil votos, a quarta maior votação para a Assembleia Legislativa do Estado (Ales) e a maior que uma mulher recebeu para o cargo na história capixaba.
O atual presidente estadual do Psol, Wellington Barros, destaca que outra meta importante é ajudar o partido a superar a cláusula de desempenho. Em 2026, as siglas brasileiras precisarão alcançar, no mínimo, 2,5% dos votos válidos, distribuídos em nove estados, com pelo menos 1,5% dos votos válidos em cada um; ou eleger pelo menos 13 deputados federais em nove estados. Os requisitos são necessários para continuar recebendo verba do fundo partidário e ter acesso ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.
Nesse sentido, Ana Paula Rocha foi escalada para a disputa por uma cadeira da Câmara dos Deputados. Em 2022, ela se candidatou a deputada federal e obteve 9,1 mil votos. Serviu como um primeiro ensaio para a eleição como vereadora de Vitória, em 2024, quando conseguiu 2,6 mil votos.
Outro ponto importante das estratégias eleitorais do Psol no Estado, de acordo com Wellington Barros, é a apresentação de uma candidatura própria para o Senado Federal. Os psolistas vão apoiar a reeleição de Fabiano Contarato (PT), mas não seguirão o Partido dos Trabalhadores no apoio a Renato Casagrande (PSB) como segundo nome na disputa. A ideia é apresentar uma “alternativa de esquerda”, como forma de ajudar a divulgar o programa do partido e projetar lideranças para as eleições municipais de 2028.
Nesse sentido, o Psol anunciou que vai lançar o professor Carlos Fabian como candidato a senador, e o vereador Thiago Peixoto ficará como suplente. Peixoto teve sua primeira experiência eleitoral em 2024, ficando na primeira suplência da federação Psol/Rede Sustentabilidade para a Câmara da Serra. Este ano, assumiu a cadeira de Wellington Alemão (Rede), afastado do mandato por decisão judicial em 2025 devido a acusações de corrupção.
Além desses nomes, o Psol também tem como pré-candidatos a deputado federal: o professor Vinicius Machado, um dos coordenadores do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) no Estado, que luta pelo fim da escala de trabalho 6×1; a assistente social Tuanne Almeida, de Vitória; o dentista Flávio Lazzarini, de Aracruz (norte); e o estivador Renan Almeida, de Vila Velha. Os três últimos foram candidatos a vereador em 2024, sendo que Lazzarini concorreu pelo Agir.
Para deputado estadual, além de Camila Valadão, os nomes apontados como pré-candidatos incluem: Luiz Bricalli, presidente da Associação dos Servidores do Incaper (Assin), além do médico Luan Lessa e do advogado Edmar Santos, de Vitória; a advogada Sharlene Azarias, de Vila Velha; a professora Renata Marquesini, de Colatina (noroeste); o professor Ériton Berçaco, de Muqui (sul); o agricultor Lucivan Hease, de Afonso Cláudio (região serrana); e Francisco de Assis da Silva, líder comunitário e ex-servidor do Hospital Roberto Arnizaut Silvares, de São Mateus (norte).
Desses nomes para a Ales, Luan e Sharlene foram candidatos a vereador em 2024 em Vitória e Vila Velha, respectivamente. Também em 2024, Renata Marquesini foi candidata a prefeita em Colatina, e Lucivan Hease, em Afonso Cláudio – ele também sustentou candidaturas em outros pleitos pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Edmar Santos se registrou como candidato a deputado estadual em 2022, dentre outras disputas anteriores, e Francisco foi candidato a vereador de São Mateus por diferentes partidos, entre 2004 e 2016.
O Psol é uma sigla pequena, mas que tem apresentado um crescimento contínuo ao longo dos anos, ainda que lentamente. Em 2022, foi o nono partido mais votado do país, alcançando 3,57% do total para deputados federais, ampliando sua bancada de 10 para 12 parlamentares. Entre os eleitos estava Guilherme Boulos, o mais votado do Brasil – mas que não tentará reeleição. A sigla também alcançou a marca de 22 deputados estaduais.
“Penso que a conjuntura continua desafiadora. A extrema direita segue atuando no Congresso Nacional, nas redes sociais, e em setores das instituições e do mercado financeiro, mantendo capacidade de pressão e de disputa da hegemonia na sociedade”, comenta Wellington Barros.
Apesar disso, Barros afirma que o Psol tem resultados para mostrar. Entre eles, destaca a “defesa da democracia e enfrentamento ao nazifascismo” no Congresso Nacional, além da proposição de “políticas públicas do interesse da classe trabalhadora”, como o fim da escala de trabalho 6×1.
“Isso nos possibilita dialogar com amplos setores da sociedade, e nos coloca como uma alternativa à esquerda voltada à redução das desigualdades sociorraciais historicamente construídas, oferecendo condições de ampliação da força política nestas eleições”, destaca.
Parceria com a Rede
Nas eleições deste ano, será reeditada a parceria do Psol com a Rede Sustentabilidade, que completará as chapas eleitorais da federação. Por isso, é fundamental que os dois partidos estejam alinhados em relação às táticas eleitorais.
Entretanto, não é isso o que tem acontecido na maior parte do tempo. Em 2022, a Rede decidiu lançar Audifax Barcelos como candidato a governador, mas o Psol não entrou na campanha do ex-prefeito da Serra. Audifax acabou apoiando o bolsonarista Manato (então PL, hoje Republicanos) no segundo turno, enquanto o Psol se somou a Renato Casagrande.
Na atual legislatura, Camila Valadão e o deputado estadual da Rede, Fábio Duarte, acabaram atuando em lados opostos: ela, como uma parlamentar independente, e ele, alinhado ao governo estadual. Este ano, Fábio migrou para o Partido Democrático Trabalhista (PDT), de sustentação do governo, onde tentará a reeleição.
Em 2026, o Psol está se somando à Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV) no apoio à pré-candidatura de Helder Salomão (PT) ao Governo do Estado. Já a Rede tem sinalizado preferência pela frente governista, que será representada pelo governador Ricardo Ferraço (MDB) no pleito.
“Estamos em diálogo com a Rede para a formação das chapas proporcionais, e nossa intenção é que possamos fechar o apoio da Federação Psol/Rede para a candidatura do Helder aqui no Estado”, assegura Wellington Barros.

