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Novo aposta em diluição do ‘efeito Zema’ para consolidar aliança com PL

Vereador Leonardo Monjardim estabelece meta de eleger “três senadores de direita”

CMV

As críticas do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por conta da revelação de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, continuam repercutindo mal entre os bolsonaristas. Nesse fim de semana, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu, nas redes sociais, rompimento do Partido Liberal com o Novo.

No Espírito Santo, quando o escândalo explodiu, parlamentares bolsonaristas criticaram a atitude de Zema. A expectativa atual do Novo, porém, é de que, em breve, a “poeira vai abaixar”. “Esse assunto deverá ser arrefecido nacionalmente, e aqui continuamos com ótimo relacionamento com o PL. Página virada”, afirma o presidente estadual do Novo, Iuri Aguiar, após questionamento de Século Diário.

O vereador de Vitória Leonardo Monjardim, pré-candidato a senador pelo Novo no Espírito Santo, também descarta que a relação tenha ficado abalada e demonstra confiança em um acordo com o partido “oficial” do bolsonarismo. “Nossa aliança é para reforçar a bancada da direita no Senado e consolidar a representatividade com três senadores de direita representando o Espírito Santo”, argumenta.

Tanto a nível federal quanto estadual, o Novo realiza movimentos independentes. Para a disputa presidencial, Romeu Zema é pré-candidato, apesar de o bolsonarismo ter escolhido Flávio Bolsonaro como representante da extrema direita. Mas, antes das falas, Zema era cogitado como possível vice de Flávio. Além disso, espera-se uma aliança da direita pelo menos no segundo turno, quem quer que seja o representante desse campo político na disputa.

No Estado, o Novo pretende lançar a candidatura de Leonardo Monjardim como senador em qualquer cenário. Mas ainda há conversas em torno de uma aliança com o PL, que tem como pré-candidata a senadora Maguinha Malta, filha do presidente estadual da sigla, Magno Malta. “Até as convenções, muita água vai passar por baixo da ponte. O momento é de cautela e de paciência”, comenta Iuri Aguiar sobre as articulações.

O cenário, porém, é complexo, tendo em vista o grande número de pré-candidaturas ao Senado no campo da direita. No Republicanos, do pré-candidato a governador Lorenzo Pazolini, o deputado federal Evair de Melo e o ex-deputado Carlos Manato se colocam na disputa. O Partido Social Democrático (PSD), que já fechou aliança com o Republicanos, tem como pré-candidato a senador o deputado estadual Serginho Meneguelli. O PL também articula apoio a Pazolini, mas não abrirá mão da pré-candidatura de Maguinha Malta.

Se uma frente de direita se consolidar de fato no Espírito Santo, o mais provável é que as duas candidaturas ao Senado saiam dos três maiores partidos da aliança (PL, Republicanos e PSD), e ainda assim alguém vai ter que ficar de fora.

Nesse cenário, Leonardo Monjardim teria como opção se lançar de forma independente e o Novo apoiar outro candidato da frente de direita para a segunda vaga. Um detalhe importante a se destacar nessa equação é que Monjardim continua como líder de governo na Câmara de Vitória, agora com a prefeitura sob o comando de Cris Samorini (PP), sucessora de Lorenzo Pazolini. Fica a dúvida se Pazolini apoiaria o aliado municipal para o Senado, mesmo que a frente de direita defina outros dois nomes – e se, em sentido inverso, o vereador de Vitória apoiaria um eventual segundo candidato ao Senado do Republicanos ou optaria por se aliar com Maguinha.

As denúncias de ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro também aumentaram o “custo” para Pazolini de uma eventual aliança com o PL, tendo em vista a relação ambígua do ex-prefeito de Vitória com os bolsonaristas.

Mais pré-candidatos

No campo da oposição, outros dois pré-candidatos se articulam de forma independente ao Senado: o atual senador Marcos Do Val (Avante), que caminha mais isolado em sua tentativa de reeleição após as várias polêmicas em que se envolveu em Brasília; e o deputado estadual Callegari (DC), que deixou o PL após Magno Malta fechar as portas para suas pretensões.

Já a frente governista conta com a pré-candidatura consolidada do ex-governador Renato Casagrande (PSB). A ex-senadora Rose de Freitas (MDB) agora surge como favorita para pegar a segunda candidatura desse campo político, após uma série de desistências.

À esquerda, a principal candidatura é do senador Fabiano Contarato (PT), que vai disputar a reeleição em um cenário acirrado. O Partido dos Trabalhadores pretende apoiar Renato Casagrande como segundo candidato ao Senado.

O Partido Socialismo e Liberdade (Psol), que está com o PT na pré-candidatura do deputado federal Helder Salomão a governador, vai seguir um caminho um pouco diferente: apoiará Contarato para uma das vagas, mas também pretende colocar um candidato próprio, o professor Carlos Fabian, como forma de ajudar a divulgar as propostas do partido.

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