Federação foca em interiorização, diversidade e escuta para aproximar população

Representatividade, interiorização e parceria com Lula deram o tom da convenção que oficializou Helder Salomão como candidato da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) ao Palácio Anchieta. Ao homologar a chapa nesta quinta-feira (30), em Vitória, os candidatos apresentaram uma plataforma centrada na ampliação das políticas públicas, na ocupação de espaços de poder por trabalhadores e comunidades tradicionais e na defesa do legado dos governos petistas.
Principal nome do campo da esquerda na disputa pelo Palácio Anchieta, Helder inicia a corrida eleitoral defendendo um programa centrado na participação popular, na ampliação das políticas sociais e na parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao longo da convenção, dirigentes e candidatos reforçaram a estratégia de apresentar a candidatura como alternativa ao atual grupo político que governa o Estado e vincular a chapa ao governo federal.
Os discursos convergiram para três eixos: a defesa de um governo baseado na escuta da população, a ampliação da representatividade política de grupos historicamente excluídos e o fortalecimento da aliança com Lula como caminho para ampliar investimentos e políticas públicas no Espírito Santo. A abertura da convenção foi marcada pelo discurso emocionado de Evani Reis, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares do Espírito Santo (Sindilimpe-ES), escolhida para a primeira suplência de Contarato.
Evani afirmou que sua presença na chapa simboliza a chegada da classe trabalhadora aos espaços de poder. “Quero aqui dizer para a população capixaba que o meu diploma é a vassoura, é a ‘trincha’, é um compromisso com a sociedade capixaba e com toda a categoria”, afirmou. Evani também disse que chega à chapa para fortalecer “o time do Lula, o time do Helder” e os candidatos da federação.
Ao defender a escolha da sindicalista, Fabiano Contarato afirmou que a composição rompe com o perfil tradicional da política institucional que, durante muito tempo, descreve, esteve baseada em decisões foram tomadas por uma elite distante da realidade da maioria da população. “Estamos nós aqui, homens, brancos, ricos e engravatados, decidindo a vida de milhões de pobres”, afirmou, ao recordar um debate no Senado, e Para Contarato, Evani representa a ruptura com esse modelo. “Nós vivemos num país que é homofóbico, racista, misógino, sexista e xenófobo. E a Evani representa tudo isso que combate toda forma de discriminação e preconceito”, declarou.
O senador também convocou a militância para ampliar o diálogo com a população, afirmando que a campanha deve ser feita “olhando nos olhos das pessoas” e destacando programas dos governos petistas, como ProUni, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Pé-de-Meia e a expansão das universidades federais.

Liderança quilombola e vereadora em São Mateus a candidata a vice-governadora Professora Valdirene definiu a chapa como inclusiva e afirmou que sua indicação demonstra o compromisso da federação com uma composição diversa e popular. “Essa chapa tem gays, tem lésbicas, tem idosos, tem juventude, tem pessoas com deficiência”, afirmou. Segundo ela, sua candidatura não ocupa um espaço simbólico. “É o nome de uma mulher negra que está aqui para representar todos os povos, principalmente as comunidades tradicionais tão esquecidas por esse Governo atual.”
Valdirene também defendeu que o Palácio Anchieta reflita a diversidade da população capixaba. “Nós queremos um Palácio Anchieta com a cara do povo”, disse, realçando a importância de políticas públicas voltadas às periferias, comunidades tradicionais, povos indígenas, população negra, pessoas com deficiência e demais grupos historicamente excluídos. Ela reforçou que sua trajetória é resultado das políticas de interiorização do ensino superior implementadas nos governos Lula. “Se eu sou uma mulher preta, quilombola, professora, mestre, foi devido às políticas públicas desse homem, que são políticas de interiorização. Se não fosse a política dele, talvez eu não estivesse aqui”, afirmou.
Responsável pelo encerramento da convenção, Helder Salomão recordou a própria trajetória, lembrando a infância rural, o trabalho em uma mercearia em Cariacica e a caminhada que o levou à Prefeitura do município, à Câmara dos Deputados e agora à disputa pelo governo estadual. Ao apresentar as diretrizes da candidatura, ele afirmou que pretende construir uma gestão baseada na participação popular. “Um governo que não escuta as dores do seu povo, da juventude, das mulheres, dos pequenos agricultores familiares, das pessoas com deficiência, dos quilombolas e dos indígenas não governa para a maioria e não governa para aqueles que mais precisam. Esse, portanto, companheiros e companheiras, é o nosso principal compromisso: um governo de escuta”, declarou.
O candidato também procurou reforçar que sua candidatura representa o palanque do presidente Lula no Espírito Santo. “A nossa aliança é com o presidente Lula. A nossa aliança é com o povo capixaba”, afirmou. Segundo Helder, a proximidade com o governo federal permitirá ampliar investimentos no Estado. Ele também afirmou que Lula terá candidatos próprios ao governo e ao Senado no Espírito Santo, referindo-se à sua candidatura e à de Contarato. Helder convocou a militância a ampliar o diálogo para além da base tradicional da esquerda. “Nós teremos que dialogar com gente que está fora da nossa bolha”, disse. Segundo ele, a campanha buscará conquistar novos eleitores sem recorrer à desinformação. “Com a gente não tem fake news, não tem ódio, não tem intolerância”, afirmou.
Embora outras legendas de esquerda também tenham apresentado candidaturas ao Governo estadual — como a Unidade Popular (UP), que lançou o servidor da Ufes Rafael Demuner como pré-candidato —, a Federação Brasil da Esperança concentra a principal aposta do campo progressista para disputar uma vaga no segundo turno. A estratégia apresentada na convenção prevê mobilização da militância nas ruas e nas redes sociais a partir do início oficial da campanha, em 16 de agosto, com foco na defesa de um governo participativo, inclusivo e alinhado ao governo Lula.

