quinta-feira, julho 30, 2026
24.2 C
Vitória
quinta-feira, julho 30, 2026
quinta-feira, julho 30, 2026

Leia Também:

Maioria do DC tem mais simpatia por Ricardo Ferraço, afirma Callegari

Deputado faz críticas à presença de “intermediário” em conversas com Pazolini

Lucas S. Costa/Ales

O Democracia Cristã (DC) vai realizar a convenção partidária no Espírito Santo na próxima terça-feira (4), a partir das 9 horas, na sede estadual da sigla, localizada no bairro Serra Dourada III, na Serra. E como pretende se posicionar nas eleições? Quem responde é o deputado estadual Wellington Callegari, pré-candidato a senador pelo partido conservador.

“Provavelmente, o Democracia Cristã vai vir independente. Porém, se você perguntar para o Wellington Callegari e a maior parte dos membros do partido qual é a preferência para governador, existe uma tendência a simpatizar mais com a candidatura do Ricardo Ferraço [MDB]”, afirmou, em conversa com o Século Diário. Isso apesar de o presidente estadual do DC, Marcos Caram, ter marcado presença em um encontro do Partido Liberal (PL) realizado em Vitória no último dia 18.

O DC é um partido pequeno, mas que, atualmente, conta com dois representantes na Assembleia Legislativa do Estado (Ales). Além de Callegari, que migrou do PL no ano passado – o senador Magno Malta, líder máximo da sigla no Estado, fechou os espaços para ele se candidatar a senador – , Coronel Weliton também se filiou na última janela partidária – Weliton se elegeu pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que se fundiu ao Patriota e se tornou o Partido Renovação Democrática (PRD).

Os dois fizeram oposição ao então governador Renato Casagrande (PSB), mas a postura dos oposicionistas ficou mais maleável com a chegada de Ricardo Ferraço ao Governo – que, por sua vez, tem feito gestos cada vez mais direcionados à direita. Do ponto de vista eleitoral, Callegari explica o porquê da simpatia ser maior com Ricardo, e não com o pré-candidato a governador Lorenzo Pazolini (Republicanos), abraçado por seus antigos aliados bolsonaristas.

“Nós estamos em conversação com vários atores. Conversamos com Pazolini, mas principalmente com o Ricardo. Até porque o Ricardo, diferente do Pazolini, não fala por meio de intermediários. Ele fala pessoalmente. Isso pra mim tem um valor muito maior do que ali da parte do Pazolini. Porque quem articula tudo para ele é o Erick [Musso, presidente do Republicanos], o que eu acho uma coisa muito estranha. Eu acho que um candidato a governador deveria conversar diretamente com todos os atores políticos, até para não ter dificuldade de, lá na frente, um compromisso assumido não ser assumido – e não estou falando que eles assumiram alguma coisa comigo”, comentou.

A aproximação recente de Callegari com Ferraço, a ponto de sair na foto junto com o governador durante um evento armamentista realizado em Vila Velha no início do mês, lhe rendeu críticas por supostamente abandonar o barco bolsonarista. O deputado rebate e faz questão de frisar que não tem nenhuma parceria com o “socialista” Renato Casagrande.

“Callegari nunca mudou a posição dele. Callegari é contra o aborto, contra a liberação das drogas, contra a ideologia de gênero, a favor de Flávio Bolsonaro (PL)”, garantiu o deputado, que ainda acrescentou: “Hoje, no Estado do Espírito Santo, não existe uma pré-candidatura de direita. Não existe. Existe uma pré-candidatura de esquerda, do Helder Salomão, e duas de centro – caso Paulo Hartung [PSD] venha, serão três candidaturas de centro. Então, não tendo uma candidatura genuinamente de direita, Wellington Callegari se sente no direito de escolher quem ele considera que abraça mais os ideais do conservadorismo, é mais competente e dialoga mais com a sociedade”.

Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini de centro? Bem, o conceito de direita e esquerda pode variar muito, conforme as preferências do interlocutor…

Em nível nacional, recentemente o pré-candidato a Presidência do Novo, Romeu Zema, chegou a fazer um convite para que Joaquim Barbosa (DC), ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), entrasse como vice em sua chapa. Isso poderia ter reflexos no Espírito Santo, onde o Novo faz um movimento parecido com o do Democracia Cristã ao lançar um candidato ao Senado independente: o vereador de Vitória Leonardo Monjardim.

Entretanto, conforme ressaltado pelo próprio Callegari, essa conversa já é “página virada”: Joaquim Barbosa desistiu de pretensões eleitorais e o Democracia Cristã lançou como pré-candidata à Presidência Clariana Barão, que comanda o diretório estadual do Mato Grosso.

Senado em disputa

A corrida para o Senado Federal começou com muitas pré-candidaturas, e agora a disputa vai se afunilando. Existem quatro pré-candidatos que caminham com mais independência: Callegari, Monjardim e Marcos do Val (Avante), à direita, e Professor Fabian (Psol), à esquerda.

No grupo governista, os dois nomes também estão próximos da confirmação: Renato Casagrande, garantidíssimo, e Rose de Freitas, bem encaminhada. No campo progressista, Fabiano Contarato (PT) é o principal pré-candidato, e a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e a Rede Sustentabilidade tendem a apoiar Casagrande como segundo nome.

Na frente conservadora, apenas Maguinha Malta (PL) está (quase) garantida. Marcos do Val e Leonardo Monjardim têm esperanças de que esse campo político os abrace como segundo nome. Carlos Manato (Republicanos), também, mas está rompido com Magno Malta (PL). Evair de Melo (Republicanos), entusiasta de primeira hora da candidatura de Pazolini, também espera ser recompensado por sua dedicação às articulações do ex-prefeito de Vitória.

Outra grande dúvida é sobre a situação de Serginho Meneguelli (PSD), que chegou a afirmar que, se não for candidato a senador dessa vez, participará do pleito apenas como eleitor. O melhor caminho para ele seria o PSD lançar Paulo Hartung para governador. Com a aliança PL-Republicanos, não tem conversa. Com os governistas, até tem, mas as chances ficaram reduzidas a essa altura do campeonato.

Mais Lidas