O processo de exclusão do deputado Gilsinho Lopes (PR) da composição da CPI do Pó Preto pode causar o primeiro grande desgaste para a imagem desta nova legislatura. O grupo que elaborou a manobra, em consonância com o Palácio Anchieta, para tirar o assunto da mão do deputado, já começa desgastado.
Em menos de um mês de mandato, os deputados protagonizaram um episódio que poderá ter reflexos na imagem da Casa frente à população. O Legislativo estadual é um poder que vive em meio a desgastes políticos, que vem se refletindo nas eleições daquele poder, com uma renovação constante de metade do plenário, o que mostra a falta de confiança do eleitor nos parlamentares.
Mas o episódio da CPI do Pó Preto, em que o deputado Gilsinho Lopes teve o tapete puxado pelos membros da Comissão de Meio Ambiente e outros deputados governistas, ganhou uma visibilidade muito maior do que outras movimentações ao longo dos últimos anos na Casa.
Isso porque o tema é sensível à população da Grande Vitória, que vem acompanhado as articulações na Assembleia com interesse. Neste sentido, a manobra foi explicita. Gilsinho Lopes trabalha com uma investigação sobre os danos ambientais e à saúde da população provocados pelas empresas Vale e ArcelorMittal instaldas na Ponta de Tubarão.
O lobby dessas empresas, que teria como “parceiro” o próprio governo do Estado, forçou a exclusão do parlamentar do PR da CPI. Neste sentido, o trabalho do colegiado perdeu a credibilidade com a população antes mesmo de ter início e a manobra política põe em xeque a atuação dos deputados.
Com metade do plenário interessada na disputa municipal de 2016, o preço por essa escolha dos deputados pode ser cobrado pelo eleitor já no próximo ano. Como 26 deputados assinaram o requerimento de abertura da CPI, o plenário todo acaba compartilhando da manobra. Exceto Gilsinho Lopes, que saiu de vítima da situação e sua assinatura foi vista como uma tentativa de participar do colegiado, ainda que como membro apenas.
Outro fator que repercutiu mal nos meios políticos foi a justificativa para a manobra. Os membros da Comissão de Meio Ambiente tiveram uma mudança de comportamento brusca no processo, o que acabou chamando mais a atenção da população para o episódio. Primeiro, defendiam a não realização da CPI, alegando que a Comissão tinha condições de discutir o assunto sem precisar criar outro espaço para isso, mas a dinâmica de uma CPI é diferente da de uma comissão permanente. A articulação de Gilsinho para criar a CPI, fez que os governistas mudassem de estratégia, lançando uma comissão “chapa branca”.
O resto da história todos já conhecem. Os membros da comissão, comandada pelo deputado Rafael Favatto (PEN), colheram assinatura para a nova comissão com o mesmo tema,esvaziando a propositura de Gilsinho, deixando transparecer a intenção de tirar do deputado o controle do colegiado. Por fim, alegaram que os deputados membros da comissão teriam prioridade na composição, embora não haja nenhum embasamento no regimento da Casa para sustentar essa tese.

