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Crise política ameaça instalação de projeto industrial em Baixo Guandu

A crise política entre a Prefeitura e a Câmara de Vereadores do município de Baixo Guandu (região noroeste do Estado) está ameaçando a realização de investimentos na região. Na última semana, os vereadores obstruíram a votação de um projeto de lei de autoria do Poder Executivo, que permitia a doação de uma área para a instalação da fábrica da empresa têxtil PW Brasil. O prefeito Neto Barros (PCdoB) afirma que a oposição está usando do legislativo para frear o município. Segundo ele, o município corre o risco de perder o investimento avaliado em R$ 12 milhões.

O prefeito afirma que os empresários sinalizavam o início das obras para o mês de janeiro, porém, a manobra dos vereadores pode ocasionar em uma mudança de planos dos responsáveis pelo empreendimento. “O município reuniu as condições necessárias para acelerar o desenvolvimento de Baixo Guandu, mas a Câmara, perversamente, pôs tudo a perder. Receio que tal irresponsabilidade acabe com a credibilidade da cidade e que ninguém queira mais investir aqui”, postou o primeiro prefeito comunista da história do Espírito Santo em seu perfil no Facebook.

A reportagem de Século Diário procurou o prefeito, que explicou a origem da crise política com a Câmara. De acordo com Neto Barros, a oposição no município é formada por uma parte dos vereadores sem uma liderança ou grupo político estabelecido. A divergência entre os Poderes ganhou os contornos de crise após a rejeição do projeto do prefeito que reduzia as despesas em 10%, com a diminuição dos salários do prefeito, secretários e cargos comissionados. Na época, a resposta da Câmara veio com a aprovação do abono salarial de R$ 4 mil para os servidores da Casa.

Segundo o prefeito, a empresa prevê a contratação de mais de 500 pessoas, sendo 400 na fase de obras e a partir de 160 trabalhadores durante a operação. “Seria a maior empresa do município, aumentando o Produto Interno Bruto (PIB) em quase 30%”, revelou o comunista, que acredita ainda na aprovação do projeto em uma nova sessão extraordinária, solicitada pela bancada governista.

Durante a última sessão, os vereadores não votaram o projeto de doação da área sob justificativa de que não teriam conhecimento da matéria. No entanto, o prefeito de Baixo Guandu contesta essa informação. “O projeto da PW Brasil foi discutido em praça pública. Todos foram chamados para participar, inclusive, os empresários convidaram os 11 vereadores para irem conhecer a fábrica em Colatina (região norte do Estado), mas nenhum quis ir”, rebateu.

O prefeito afirma que, além da administração do município, a população local estava se preparando para a chegada do empreendimento. Neto Barros conta quew centenas de jovens da região entraram em cursos de formação na área de confecção em busca de uma oportunidade no empreendimento. “Estou com um fio de esperança na reação das pessoas e de alguns vereadores”, afirmou. Ele citou que um abaixo-assinado está circulando no município para pressionar os vereadores para aprovação da matéria.

O grupo PW Brasil foi criado em Colatina e tem mais de 30 anos no mercado da moda. O grupo é responsável pelas marcas Missbela e Vide Bula, que são vendidas em lojas de todo o País. O projeto prevê a instalação de um novo parque fabril da empresa, cujo investimento planejado gira em torno de R$ 12 milhões. Inicialmente, a indústria seria instalada em Linhares, mas o município de Baixo Guandu conseguiu vencer a disputa pelo empreendimento. Com o revés na Câmara, o empreendimento poderá retornar para o município da região norte capixaba.

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