Em seu discurso, na sessão de instalação dos trabalhos na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (2), o deputado Sérgio Majeski (PSDB), que nessa segunda (2) foi o único a se abster na votação da Mesa Diretora, voltou a surpreender ao mudar o foco do discurso sobre a crise hídrica no Espírito Santo.
O deputado saiu do lugar comum dos discursos adotados nos últimos dias, especialmente do governo do Estado sobre a estiagem no Estado. O tucano afirmou que não entende a surpresa das autoridades sobre o tema da seca, já que essa discussão já vem sendo feita há mais de 20 anos no Estado.
Majeski, que é professor de Geografia, fez ainda uma relação do problema da estiagem com a educação. O deputado mostrou que essas discussões são antigas, mas que não se dá ouvidos ao que se fala sobre o assunto, seja em nível municipal, estadual ou federal.
Ele destacou também o oportunismo político da questão da estiagem, afirmando que quando a chuva vier, o discurso será esquecido. A intervenção do deputado vai ao encontro da coluna do professor Roberto Simões, em A Gazeta, nesta terça-feira (3). O professor escreve sobre o atraso no alerta à população sobre a iminência da falta de água, que já vinha se evidenciando desde o ano passado. Já se sabia que faltavam programação e preparação para o período de estiagem.
Nos últimos dias a estiagem tem ganhado espaço na mídia em função da redução dos níveis dos rios. Para os meios políticos, porém, a discussão tem um viés político, que ajuda a criar uma articulação de uma agenda agregadora em torno de um ideal, que pode fortalecer a necessidade do governo em buscar unidade para garantir a governabilidade de Paulo Hartung (PMDB).

