Os deputados estaduais insistem na movimentação em torno da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que permite a reeleição do presidente da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, mas para os meios políticos o destino da PEC já não interessa politicamente porque perdeu seu objeto principal.
Isso porque, a intenção era fortalecer o presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM) em um jogo político com o governador eleito Paulo Hartung (PMDB). A ação buscava uma forma de proteger o legislativo de um controle do Executivo que enfraqueceu aquele poder no período do peemedebista à frente do Palácio Anchieta.
O que os deputados não contavam era com a movimentação de Ferraço e do próprio governador eleito no sentido de esvaziar o movimento. O presidente da Casa, mais interessado na disputa de 2016 e na acomodação política de seus aliados, não aceitou o jogo dos deputados. Sem um nome com o mesmo peso na Casa para o fortalecimento do plenário, as lideranças consideram que a manobra hoje perdeu o sentido.
Ferraço saiu muito fortalecido no sul do Estado com a eleição deste ano. Neste sentido, os meios políticos locais acreditam que não há como imaginar a eleição de 2016 sem a presença de Ferraço, que já estaria de olho na Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim. Com a morte de Glauber Coelho (PSB), uma liderança em condições de disputar de igual para igual com Ferraço pela prefeitura, o campo fica mais amplo para o demista.
Ele deve enfrentar na disputa municipal o também deputado estadual Rodrigo Coelho (PT), aliado do atual prefeito Carlos Casteglione, que em segundo mandato sofre com o desgaste do cargo. Neste sentido, entra em desvantagem no pleito e não agrega os votos de Glauber.
O petista deve tentar erguer seu palanque na dicotomia em torno de Ferraço, já que em Cachoeiro há o chamado “ferracismo”, com a parcela da população que apoia o demista e ela é grande; e o “anti-ferraciscmo” que tinha como principal liderança o ex-prefeito Roberto Valadão (PMDB), que tem se afastado das disputas locais nos últimos anos.
Além de Cachoeiro, Ferraço também estende sua influência política para outros municípios do sul, sobretudo em Itapemirim, onde deve novamente apoiar a mulher, Norma Ayub, para a disputa contra o atual prefeito Luciano Paiva (PSB). Para isso, os interesses de Ferraço hoje estariam na negociação para que a Norma Ayub, que é primeira suplente de deputada federal pelo DEM, seja acomodada na bancada, o que depende da convocação do governador de um dos eleitos da coligação para compor o governo. Os contados para “ceder” a vaga para Norma seriam Lelo Coimbra (PMDB), Manatto (SD) e Jorge Silva (PROS).
Os interesses de Ferraço passam, então, pelos caminhos que vão ajudar a construir sua candidatura em 2016 e a da mulher, fortalecendo seu poder no sul do Estado e não pelo fortalecimento do Legislativo estadual. Interesse que se encaixa com as necessidades do governador eleito, que prefere evitar o temperamento intempestivo de Ferraço à frente da Assembleia.

