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Deputados questionam disponibilização de escolta e carro para Coronel Caus

Sesp fala em “risco alto”; Coronel Weliton aponta ações eleitorais em unidades da PM

Coronel Weliton e Douglas Caus. Foto: Redes Sociais

A disponibilização de escolta policial e carro oficial do Estado ao coronel da reserva Douglas Caus (Podemos), ex-comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) e pré-candidato a deputado estadual, foi criticada por parlamentares na Assembleia Legislativa do Estado (Ales). Coronel Weliton (DC) foi quem puxou o assunto, apresentando “denúncia” na sessão ordinária de segunda-feira (6). A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) confirmou para Século Diário o benefício concedido a Caus, alegando riscos à sua segurança.

Durante discurso no plenário, Coronel Weliton apresentou um vídeo que mostra Douglas Caus entrando em um veículo com outros homens, que seriam os responsáveis pela escolta. Ele afirma que recebeu as denúncias de um militar que também é candidato e “se sentiu prejudicado”, tendo em vista que outros servidores públicos da área de segurança que sustentam pré-candidaturas não tiveram o “privilégio” concedido ao ex-comandante-geral da PMES.

Ainda de acordo com Weliton, Coronel Caus está realizando atividades “partidárias” em unidades da Polícia Militar no Estado. Além disso, segundo o deputado estadual, oficiais que estão à frente de unidades das quais foram retirados os policiais para realização da escolta mostraram insatisfação, tendo em vista que tiveram baixas nas suas equipes para as ações de segurança rotineiras.

O deputado Danilo Bahiense, que preside a Comissão de Segurança da Ales, disse que recebeu a denúncia da utilização de um outro veículo oficial por Caus e que a placa não consta em registros do Detran e na lista de placas reservadas das polícias Militar e Civil. Ele também acusou Coronel Caus de redigir ato de “próprio punho” antes de deixar o comando da PMES para garantir o autobenefício. Bahiense disse ainda que, nos tempos de delegado da Polícia Civil, recusou uma oferta de inclusão em programa de proteção a testemunhas e sair do Brasil, ressaltando que tem “muita fé em Deus” e uma “[pistola] ponto 40, obviamente, duas, se for necessário”.

Denninho Silva (União) falou em “denúncia gravíssima” e “caso de prisão”. Já Alcântaro Filho (Republicanos) chamou Caus de “policial nutella”, em contraposição aos “policiais raiz” que ocupam cadeiras na Ales, e também pediu providências. Camila Valadão (Psol), por sua vez, pediu para incluir a assinatura dela em eventual requerimento de informações ao Governo do Estado, e relembrou falas do ex-comandante-geral da PM, afirmando que ele “utilizava o cargo para ameaçar toda a sociedade”.

Capitão Assumção (PL) retomou o assunto na sessão de terça-feira (7), e instou Douglas Caus a “usar as mesmas armas dos demais pré-candidatos”. Na ocasião, ele passou um vídeo publicado pelo coronel nas redes sociais, em que o oficial da reserva explica que continua ameaçado por facções criminosas.

O coronel afirmou na postagem que tem escolta conforme garantido na legislação, e adicionou: “Escolta não significa medo. Escolta significa uma garantia da nossa segurança. E se você atentar contra a nossa vida ou tiver planejando algum tipo de ataque, prepara o couro, porque nós vamos te comer no aço!”.

“Risco alto”

Em nota para Século Diário, a Sesp informou que recebeu solicitação de escolta de Douglas Caus em abril e, após análise da área de inteligência, o risco foi classificado como “alto”. “Tendo em vista risco de vida relevante decorrente do tempo em que o oficial exerceu o cargo de comandante, o requerimento foi deferido. A quantidade de policiais e viaturas designados à escolta atende a critérios técnicos”, diz o texto.

Quanto ao veículo, a Secretaria afirmou que é padrão nesse tipo de serviço o emprego de “viaturas identificadas por placas reservadas, cuja divulgação e consulta pública possuem restrições por motivos de segurança”. A Sesp acrescentou ainda que “todos os trâmites foram realizados dentro do que preconiza a legislação (Lei Estadual nº 10.794/2017 e Lei Federal nº 12.694/2012) e seguiram os ritos necessários para concessão de escolta a autoridades”.

Século Diário também procurou Douglas Caus, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Atritos com deputados

Em outubro do ano passado, Douglas Caus já havia se envolvido em uma polêmica com pares da Assembleia Legislativa. Ele chegou a divulgar um vídeo nas redes sociais em que chamava Coronel Welinton de mentiroso. Na ocasião, Welinton afirmou que Caus foi convidado a contribuir em um projeto relacionado a reajustes salariais dos policiais, mas teria alegado “outras prioridades”. Discursos de parlamentares também apontaram para uso do cargo com fins eleitorais, projeto que chegou a ser negado por Caus por mais de uma vez.

Douglas Caus deixou o cargo de comandante-geral da Polícia Militar do Estado em abril para se candidatar. Ficou conhecido nos últimos anos por falas truculentas, dizendo que a polícia levaria os “bandidos” que atuam em territórios periféricos “presos ou no saco preto” e ameaçando “largar o aço” em criminosos que atirassem contra os militares.

Outros dois ex-membros da gestão estadual que atuaram nas áreas de Segurança e Justiça se colocam como pré-candidatos para as eleições de 2026: Romualdo Gianordoli (Republicanos) – que rompeu com o Governo – e Rafael Pacheco (PSB).

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