Como será o comportamento do grupo de deputados estaduais que se posicionou pela aprovação das contas do governador Renato Casagrande (PSB) em 2015? Esta é a pergunta que vem aguçando a curiosidade nos meios políticos. Isso porque, ao se posicionar em favor do socialista, os deputados podem ter comprado briga com o governador eleito, Paulo Hartung (PMDB), com quem terão de conviver por quatro anos.
Esta, porém, não parece ser uma preocupação que tira o sono dos deputados que fizeram parte do grupo e que foram reeleitos. Se em tempos passados, desagradar o governador poderia significar represálias políticas, o retorno de Hartung ao Palácio Anchieta não está sendo visto da mesma forma como em 2002.
Após a batalha sangrenta com Casagrande nas eleições, o cenário de unanimidade se torna impossível, assim como o arranjo político que colocou a Assembleia em posição de submissão ao Executivo durante oito anos. A aprovação das contas de Casagrande foi vista como um recado da Assembleia para o governador eleito de que os deputados não estariam dispostos a aceitar a mesma relação unilateral de antes.
Para os observadores, a reconciliação entre Hartung e alguns deputados que participaram mais ativamente da base de Renato Casagrande na Assembleia é dificultada. Embora não se possa afirmar que o grupo fará oposição ao novo governo, é possível identificar alguns nomes que terão posição mais independente em relação ao governo do Estado.
O que teria pesado no posicionamento dos deputados foi o resultado das eleições proporcionais, que deixaram mais da metade do plenário de fora da próxima legislatura. O desempenho eleitoral ecoa ainda dentro do plenário e seria um indício de que a postura dos deputados não é aprovada pela população.
A expectativa do mercado político é de que a disputa entre Hartung e Casagrande, que extrapolou o período eleitoral e deve seguir 2015 adentro, reflita na Assembleia, colocando o plenário em teste em outros momentos.
Além disso, quando se aproximar o processo eleitoral de 2016, esse clima tenderá a se acirrar, pois além dos interesses do peemedebista e do socialista, estará em jogo o interesse dos deputados em suas bases eleitorais.

