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Em meio à pressão, pré-candidatos tentam se manter na disputa pelo Senado

Fabian, Meneguelli, Evair e Manato não estão com pré-candidaturas garantidas para outubro

CMV / Lucas S Costa – ALES / Redes Sociais / Wilson Dias ABr

As convenções partidárias para as eleições de 2026 estão se aproximando, mas ainda pairam muitas dúvidas sobre quem de fato estará na disputa para o Senado Federal. À esquerda, o pré-candidato Professor Fabian (Psol) corre o risco de não conseguir se viabilizar. À direita, a ausência de uma definição sobre aliança entre Republicanos e Partido Liberal (PL) tem colocado em suspenso os destinos de pelo menos três nomes.

Os fatos mais recentes dizem respeito a Professor Fabian, apontando movimentos para retirá-lo do cenário eleitoral. O Psol lançou a pré-candidatura dele no último dia 20, com o intuito de ter alguém que defendesse as pautas da sigla na disputa. Como segundo nome para o Senado, os psolistas apoiam a tentativa de reeleição de Fabiano Contarato (PT), assim como se articulam com Helder Salomão (PT) como pré-candidato a governador.

Entretanto, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) tem indicado que pretende apoiar Renato Casagrande (PSB) como segundo candidato a senador, apesar de o ex-governador, que tem perfil progressista, estar em outro grupo político. Por isso, segundo Professor Fabian, a federação, em uma reunião recente, fez um pedido direto ao Psol para que retirasse a pré-candidatura. A preocupação apresentada não era de eventualmente atrapalhar a votação de Fabiano Contarato, uma questão com a qual o próprio Fabian se preocupa, e sim de ter Casagrande como a única opção como segundo candidato do campo progressista.

“A minha candidatura foi muito dialogada, no início, dentro do campo progressista. Foi feita a indagação de se a gente conseguiria contribuir para o fortalecimento da democracia desse campo. Que a direção da Federação Brasil da Esperança faça uma escolha mais ao centro [Casagrande], não é um problema. Isso é da democracia. Mas dificultar ou impossibilitar nossa candidatura é privar a população do direito à escolha”, afirmou Professor Fabian para Século Diário.

Procurado, o presidente do Psol estadual, Wellington Barros, afirmou que não houve pedido explícito para retirada da pré-candidatura de Professor Fabian, mas admitiu haver pressão para que isso aconteça – o que, segundo ele, viria do grupo de Renato Casagrande. Ele disse também que a Federação Brasil da Esperança já confirmou que pretende apoiar Casagrande como segundo candidato para o Senado. “Mas nossa decisão é manter Fabian até o fim”, ressaltou.

Século Diário também procurou o presidente do PT no Espírito Santo, o deputado estadual, João Coser, que negou qualquer pedido ou pressão para a retirada da pré-candidatura do Professor Fabian, classificando-a como “legítima”. Coser disse ainda que a federação mantém boa relação com Renato Casagrande, que, segundo ele, deverá apoiar a reeleição do presidente Lula, mas não há nada certo sobre segundo voto ao Senado. Mesmo que o PT se defina de fato pela aliança com o ex-governador, o deputado afirma que o pré-candidato do Psol “não atrapalha em nada”.

O deputado federal Helder Salomão também foi procurado para comentar o assunto e negou qualquer movimento para inviabilizar a pré-candidatura de Professor Fabian. Entretanto, se esquivou de falar sobre definições a respeito do segundo candidato ao Senado ou sobre eventual impacto de Fabian nas articulações. “O que tem de oficial é o lançamento da pré-candidatura do senador Fabiano Contarato. Não tem nenhuma outra decisão que não seja essa”, resumiu.

O Psol, porém, tem outro problema interno para resolver. O partido forma uma federação com a Rede Sustentabilidade, que mantém cargos no Governo estadual e deseja apoiar Ricardo Ferraço (MDB) para governador. Na verdade, Psol e Rede nunca falaram a mesma língua no Espírito Santo. Em 2022, a Rede lançou Audifax Barcelos como candidato a governador, que não foi abraçado pelos psolistas. Nas eleições de 2024, surgiram mais conflitos em torno de alianças nos municípios. Os dois deputados estaduais da sigla, Camila Valadão (Psol) e Fabio Duarte (Rede), atuaram de forma separada durante a legislatura. Duarte migrou para o PDT na janela partidária deste ano.

Frente conservadora

Fabian não é o único a falar sobre articulações contrárias nos bastidores. No mês passado, Sergio Meneguelli (PSD) apareceu nas redes sociais dizendo que estão tentando “derrubar” sua candidatura ao Senado de novo, como aconteceu em 2022, quando estava no Republicanos. Ao contrário do psolista, porém, não deu detalhes sobre quem estaria puxando seu tapete.

O Partido Social Democrático (PSD), que fechou apoio a Lorenzo Pazolini (Republicanos) como pré-candidato a governador, deu carta branca a Meneguelli para ser candidato a senador. Entretanto, se o Republicanos fechar aliança com o PL, a situação do deputado estadual se complica, já que ele não é bem-visto entre os bolsonaristas.

A consolidação ou não de uma “frente conservadora” é que ditará os rumos do processo. As condições do PL para apoiar Pazolini incluem abraçar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato a presidente e, principalmente, Maguinha Malta para senadora. Se a filha de Magno Malta não receber apoio, o PL vai se lançar sozinho na disputa para governador. Por conta disso, Maguinha já está praticamente garantida na disputa, seja em qual cenário for.

Outros dois nomes do Republicanos ainda buscam se viabilizar para o Senado. Um deles, o deputado federal Evair de Melo, parece reunir mais condições para chegar lá. Na sessão da Câmara de Vitória de terça-feira (7), o vereador Luiz Emanuel conclamou o movimento conservador capixaba a “tomar juízo” e abraçar Evair, que, como lembrou na ocasião, já recebeu declaração de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Melo também é um dos principais articuladores da pré-campanha de Pazolini para o Governo.

O ex-deputado Carlos Manato também busca se viabilizar para o Senado pelo Republicanos. Em 2022, alcançou o grande feito de disputar o segundo turno para governador. Depois disso, saiu do PL brigado com Magno Malta. Atualmente, tem trabalhado em articulações junto à esposa, a pré-candidata a deputada federal Soraya Manato (Republicanos).

Os independentes e a governista

Outros três pré-candidatos a senador se alinham ideologicamente à direita, mas estão em partidos menores e deverão entrar na disputa de forma independente. Um deles é o deputado estadual Callegari (DC), que deixou o PL no ano passado após Magno Malta frear as pretensões dele para o Congresso Nacional. Nesta semana, ele se defendeu de críticas por circular com o governador Ricardo Ferraço em um evento armamentista realizado em Vila Velha.

Já o vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo) é o líder do Governo da atual gestão municipal iniciada com Lorenzo Pazolini, e que agora segue sob o comando de Cris Samorini (PP). Ele também mantém diálogo com Magno Malta. De qualquer forma, o grande objetivo da candidatura dele é dar visibilidade para o partido Novo no Estado.

Marcos do Val (Avante), por sua vez, que é senador e vai tentar a reeleição, caminha mais isolado após as várias polêmicas em que se envolveu em Brasília. Ele foi eleito em 2018 na onda da nova política pós-Operação Lava Jato, focado na pauta da segurança pública, mas contando com apoio até mesmo de figuras do campo progressista, como o ex-governador Renato Casagrande.

Além desses, a ex-senadora Rose de Freitas (MDB) também é cotada para se candidatar esse ano, mas pelo campo governista, ao lado de Renato Casagrande.

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