Depois do insucesso da estratégia de reeleger Theodorico Ferraço (DEM), os deputados estaduais perceberam que a regra do jogo para a escolha do novo presidente da Assembleia Legislativa mudou. O governador eleito Paulo Hartung (PMDB) deixa transparecer que não quer tratar do assunto agora, o que paralisa as movimentações dos deputados.
Os deputados devem aguardar uma sinalização do novo governador sobre o tema e isso não deve tão cedo. Hartung está fora do Estado e quando voltar também não terá pressa para discutir a eleição da Assembleia. O assunto deve ser tratado somente no recesso.
O método de escolha deve seguir o mesmo rito dos governos anteriores de Hartung. Geralmente, Hartung deixa as conversas correrem. Quando define sua escolha, costuma chamar individualmente os parlamentares e comunicar sua decisão, que invariavelmente é acatada pelo Plenário da Assembleia.
Três deputados do PMDB – Guerino Zanon, Luzia Toledo e Hercules Silveira – tiveram seus nomes cogitados nos meios políticos, mas nos últimos dias, as movimentações na Casa apontam para a inutilidade de discutir os nomes sem saber qual a posição de Hartung.
A manobra para tentar reeleger Ferraço foi esvaziada depois que o presidente da Casa afirmou não ter interesse em ser reconduzido. Os deputados esperavam que uma vez reeleito, o demista pudesse garantir o diálogo menos vertical entre Hartung e a Assembleia.
Isso porque a postura de submissão dos deputados ao governo Paulo Hartung em seus dois mandatos causou um desgaste político grande para o Legislativo estadual. A visão desse grupo, porém, não se encaixou com os interesses de Ferraço de construir o caminho para sua eleição em Cachoeiro de Itapemirim em 2016, um interesse que vai ao encontro da visão que seria de Hartung de regionalizar a influência política de Ferraço, evitando sobressaltos com o deputado à frente da Assembleia.

