PSOL e PT passam de três para quatro vagas; PL e Republicanos elegem oito

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), a partir de 2027, vai ter uma composição renovada em pouco mais da metade de suas cadeiras, mas sem mudança na taxa de renovação registrada na eleição anterior. Dos 30 deputados estaduais eleitos neste domingo (4), 16 não ocupavam uma cadeira na Casa na atual legislatura, o equivalente a 53,3% do plenário. O índice é exatamente o mesmo registrado na eleição de 2022.
Os outros 14 parlamentares já ocupavam uma cadeira na Assembleia e conseguiram permanecer na Casa, o que representa 46,7% das vagas. A renovação ocorre principalmente pela entrada de vereadores, ex-prefeitos, empresários, profissionais da segurança pública e nomes com atuação em movimentos sociais e sindicais.
Entre os reeleitos estão Camila Valadão (PSOL), Capitão Assumção (PL), Hudson Leal (Agir), Janete de Sá (PSB), Dary Pagung (PSB), Vandinho Leite (MDB), Mazinho dos Anjos (MDB), Alexandre Xambinho (Podemos), Fabrício Gandini (Podemos), Pablo Muribeca (Republicanos), Adilson Espindula (PP), José Esmeraldo (União) e Denninho Silva (União).
A nova composição também vai ter maior presença feminina, mas elas ainda representam apenas um quinto da Assembleia. O número de cadeiras passa de quatro a seis ocupadas por mulheres, elevando a participação de 13,3% para 20% do plenário. Foram eleitas Karla Coser (PT), Jeesala Coutinho (MDB) e Açucena (PT), além da permanência de Camila Valadão, Janete de Sá e Raquel Lessa.
Além de manter uma cadeira na Assembleia, Camila Valadão (PSOL) foi a candidata mais votada para deputada estadual em 2026, com 61,5 mil votos. É a primeira vez que uma mulher lidera a votação geral para a Ales, superando candidaturas masculinas e femininas. Em 2022, Camila já havia sido a mulher mais votada e terminou a disputa na quarta colocação geral. O resultado amplia uma trajetória iniciada em 2020, quando Camila se tornou a primeira mulher negra eleita vereadora de Vitória. Além de ser reeleita para a Ales, ela volta a ocupar o topo da votação feminina e passa a representar a única cadeira do PSOL na próxima legislatura. O desempenho também dá dimensão à mudança na bancada de esquerda, que vai passar de três para quatro deputados a partir de 2027.
A nova bancada feminina reúne trajetórias distintas. Karla chega à Ales após mandato como vereadora de Vitória e segue a trajetória política da família Coser. Açucena chega à Casa após ter sido eleita vereadora de Cariacica em 2024. Já Jeesala Coutinho entra na política estadual depois de atuar na administração municipal de Aracruz, onde ocupou secretarias na gestão do pai, o prefeito Dr. Coutinho.
O índice de 53,3% de renovação mostra que a Assembleia vai ter a mesma proporção de novos parlamentares observada há quatro anos, em 2022, quando também foram 16 novos deputados e 14 reeleitos. A mudança está menos no tamanho da renovação e mais no perfil dos nomes que chegam à Casa.
Entre os novos deputados estão vereadores da região metropolitana como Davi Esmael (Republicanos) e Darcio Bracarense (PL), da Capital; Pastor Dinho Souza (PL), da Serra, e Thiago do Casal Policial (PL). Também chegam à Assembleia o ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim Victor Coelho (PSB), o ex-prefeito de Águia Branca Brizola Corteletti (Agir), o delegado Leandro Esperandio (Podemos) e os empresários Franco Fiorot (Podemos) e Rodrigo da Cozivip (MDB).
Pelo Progressistas, também chegam em primeiro mandato estadual Peter Costa e Fernando Santório. O partido reelegeu Adilson Espindula e, junto ao União Brasil, forma a Federação União Progressista, que elegeu cinco deputados para a próxima legislatura.
Campo de Ferraço
Apesar da renovação de mais da metade do plenário, a distribuição das cadeiras aponta para uma correlação de forças favorável aos partidos que apoiaram Ricardo Ferraço (MDB) no primeiro turno da disputa pelo Governo do Estado. MDB, Podemos, Agir, PSB e a Federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas — elegeram, juntos, 18 dos 30 deputados estaduais. O grupo representa 60% da Assembleia. A coligação de Ferraço também reuniu PDT e a Federação PSDB/Cidadania, que não elegeram deputados estaduais.
O resultado dá aos partidos que compuseram a aliança de Ferraço uma maioria numérica na Casa. Isso, no entanto, não significa alinhamento automático dos parlamentares nas votações, já que a coligação eleitoral não determina como cada deputado se posicionará durante o mandato.
Do outro lado, PL e Republicanos, partidos que formaram a coligação de Lorenzo Pazolini na disputa pelo governo, elegeram oito deputados: seis do PL e dois do Republicanos. O PL vai ter a maior bancada da próxima legislatura, com seis cadeiras, enquanto o Republicanos detem duas. Juntas, as duas siglas vão ocupar oito das 30 vagas da Assembleia, o equivalente a 26,7% do plenário.
Esquerda ganha uma cadeira
A esquerda vai ter quatro cadeiras na próxima legislatura, com o PT passando de duas para três vagas. A bancada será formada por Karla Coser, Açucena e Julio da Fetaes, enquanto o PSOL mantém Camila Valadão. Com isso, PT e PSOL passam de três cadeiras na legislatura atual para quatro na próxima, elevando a participação de 10% para 13,3% do plenário. A nova composição do PT ocorre após a saída de Iriny Lopes e João Coser e a eleição de Karla Coser, Açucena e Julio da Fetaes. Karla foi vereadora de Vitória, Açucena exerceu mandato na Câmara de Cariacica e Julio da Fetaes tem trajetória ligada ao movimento sindical dos trabalhadores rurais.

