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Bancada capixaba tem renovação de 70% e avanço feminino na Câmara

Jack Rocha, Da Vitória e Gilson Daniel garantem reeleição

Com uma taxa de renovação de 70%, a nova bancada do Estado na Câmara dos Deputados terá sete parlamentares inéditos ou novos na Casa, deixando espaço apenas para três parlamentares que conseguiram assegurar a continuidade de seus mandatos: Jack Rocha (PT), Da Vitória (PP) e Gilson Daniel (Podemos). A presença feminina dobrou, mas continua muito distante da paridade. A bancada passou de uma única deputada na legislatura anterior para duas parlamentares eleitas. Além de Jack Rocha, a ex-Secretária de Governo e de Planejamento, Manu Pedroso (PSB) consolidou o avanço de lideranças femininas na esfera federal.

Primeira deputada federal negra eleita pelo Espírito Santo em 2022, Jack Rocha continua a representar a esquerda capixaba na Casa, onde apoiou a aprovação da Câmara a PEC do fim da escala seis por um e se posicionou contra o PL da Dosimetria — o projeto de lei que prevê a redução de pena dos condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — e contra o requerimento de urgência do Projeto de Lei 2.163/2023, que prevê anistia a atos golpistas praticados no Brasil desde 30 de outubro de 2022.

A parlamentar sofreu um atentado durante a campanha: a equipe foi alvo de um artefato explosivo durante atividade de rua em Cachoeiro de Itapemirim e, no dia seguinte, em Vila Velha, materiais teriam sido retirados e destruídos “em meio a manifestações de ódio, racismo e misoginia”.

A segunda cadeira do PT, ocupada por Helder Salomão, que deixou a disputa pela Câmara para se candidatar ao governo do Estado, será assumida pelo ex-prefeito de Vitória, ex-deputado federal e deputado estadual João Coser, que garantiu o retorno à Câmara Federal. A eleição também altera a correlação de forças interna da bancada petista no Estado, já que Jack Rocha e Coser integram a Construindo Um Novo Brasil (CNB), corrente majoritária do partido, enquanto Iriny Lopes, do mesmo campo político de Helder, deixou a disputa pela reeleição como deputada estadual para tentar uma vaga na Câmara Federal, mas não foi eleita.

Enquanto a esquerda manteve suas duas cadeiras, a extrema direita manteve peso no Estado com a reeleição do deputado estadual mais jovem do Espírito Santo em 2022, Lucas Polese (PL), que integrou o bloco de seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Legislativa. Durante sua campanha, Polese acusou o arcebispo de Vitória, Dom Ângelo Ademir Mezzari, de participar de uma atividade político-partidária de pré-campanha do Partido Socialismo e Liberdade (Psol). O parlamentar alegou que o evento configurava “campanha aberta para o Psol” e criticou a atuação da Igreja em pautas ligadas aos direitos humanos e sociais. A acusação foi formalmente desmentida pela Arquidiocese de Vitória, que reforçou o caráter não partidário da instituição e repudiou a associação indevida da imagem de seus pastores e do próprio arcebispo.

Em maio de 2023, Polese recusou-se a fazer o teste do bafômetro ao ser abordado pela Polícia Militar enquanto dirigia um veículo oficial na madrugada, durante uma blitz na Praia do Canto, em Vitória, “exalando odor etílico”. A Juventude Socialista Brasileira do Estado (JSB-ES), segmento do PSB, partido do governador Renato Casagrande, pediu a abertura de uma sindicância pela Corregedoria-Geral da Assembleia Legislativa, mas o procedimento foi arquivado pelo presidente da Assembleia, deputado Marcelo Santos (Podemos), seguindo parecer do procurador-geral, Anderson Sant’ana Pedra.

Usou o mandato para tentar aprovar o Projeto de Lei (PL) nº 896/2025, que veda reservas de vagas em concursos públicos “baseadas em critérios de raça, etnia, cultura, identidade de gênero, orientação sexual ou quaisquer outros de natureza similar”. O projeto quase foi votado antes do recesso no fim de 2025, mas não voltou para a agenda da casa.

Ele também já atacou um professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), usando imagens dele sem autorização em vídeo em que exibiu trechos de uma palestra sobre diversidade realizada no Campus Centro Serrano, acusando-o de fazer o que chamou de “ideologia de gênero” e defendendo a aprovação da Lei 12.479/2025, que permite veto ao ensino de gênero em escolas do Estado. A norma mais tarde foi derrubada pelo STF.

Em fevereiro de 2025, o Incra precisou desmentir fake news e relatou que o deputado incentivava, em uma mobilização online, a convocação de pessoas para protestar contra a emissão de posse da Fazenda Floresta e Texas, localizadas em São Mateus, no norte do Espírito Santo, o que não se concretizou. “A decisão judicial determinava que qualquer tipo de resistência ou impedimento ao cumprimento da ordem resultaria em multas, o que pode ter contribuído para a desmobilização”, afirmou o órgão. No ano passado, o caso foi propagado por bolsonaristas nas redes sociais e sites, quando o Incra apontou desinformação e “forte viés político”. A segunda vaga do PL foi para o ex-vereador de Viana, Lucas Stein Casagrande. A cadeira dos Republicanos vai ser ocupada pelo Coronel Ramalho, ex-secretário de Segurança Pública da gestão Casagrande.

Pelo PP, Da Vitória garantiu a reeleição após desistir da pré-candidatura ao Senado Federal. O parlamentar foi deputado estadual por três mandatos e vai para o terceiro na Câmara. Atuou contra pautas populares e esteve entre os quatro deputados capixabas (além dele, foram apontados também Evair de Melo (PP), Messias Donato (Republicanos) e Amaro Neto, também do PP) a apoiar emendas apresentadas por parlamentares ligados ao Centrão e a setores empresariais, com o objetivo de “esvaziar” a proposta original do fim da escala 6×1. Os textos propunham adiar o fim da escala para 2036, criar exceções para determinadas categorias e flexibilizar a aplicação de uma nova jornada.

O terceiro a garantir a reeleição foi o ex-prefeito de Viana Gilson Daniel (Podemos), que chegou à Câmara Federal em 2022. Além de vereador e depois prefeito de Viana por dois mandatos consecutivos, de 2013 a 2020, ele presidiu a Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes) e a Associação Brasileira de Municípios (ABM). Em 2021 e 2022, ocupou cargos no Governo do Estado.

Gilson Daniel também foi um dos seis candidatos da Câmara dos Deputados a uma indicação para ocupar o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), mas quem ganhou na votação foi o deputado Odair Cunha (PT-MG), que era o favorito. Daniel ficou em quinto lugar e, com o resultado, voltou a focar na sua articulação política para a reeleição à Câmara dos Deputados.

A terceira cadeira da federação entre PP e União Brasil foi para Marcelo Santos (União), atual e longevo presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALES). Pelo mesmo partido, o médico e deputado estadual Bruno Resende chega a Câmara Federal com apoio do prefeito de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Theodorico Ferraço (PP) pai do governador Ricardo Ferraço (MDB).

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