Terceiro colocado para governador, Helder diz que vai conversar com partidos aliados

O deputado federal Helder Salomão (PT) terminou a disputa para governador em terceiro lugar. Qual vai ser seu posicionamento no segundo turno, com Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB)? Por enquanto, nada definido.
“Ainda não temos nenhuma definição sobre o que vamos fazer. Vamos conversar entre os partidos da Federação Brasil da Esperança [PT, PCdoB e PV] e com o Psol, que foi nosso parceiro também. O que a gente já sabe é que estaremos na linha de frente da campanha de reeleição do presidente Lula”, afirmou Helder a Século Diário, acrescentando que terá uma reunião com Lula nesta segunda-feira (5).
O deputado afirmou ainda que, apesar da derrota, sai com a sensação de “dever cumprido”. “Agradecer a Deus e ao povo capixaba. Foi uma eleição difícil, com dois candidatos com apoio do poder econômico e de governos. Fizemos uma campanha pé no chão, com poucos recursos, e tivemos mais de 15% dos votos”, afirmou.
Em relação ao resultado de Lula no Espírito Santo, Helder comentou que imaginava um aumento da votação em relação a 2022, o que acabou não acontecendo – na verdade, perdeu três pontos percentuais. De qualquer forma, avaliou que ““não é pouca coisa ultrapassar a barreira dos 37%”.
Cenário
Um apoio a Lorenzo Pazolini é extremamente improvável – alinhado à extrema direita, o próprio Pazolini talvez não deseje isso. Com Ricardo Ferraço existe espaço de diálogo, tendo em vista que o Partido dos Trabalhadores (PT) participou da atual gestão estadual quando o governador ainda era Renato Casagrande (PSB).
A questão é que a prioridade do PT é reeleger o presidente Lula, que teve pouco mais de 850 mil votos no Espírito Santo no primeiro turno, e Ricardo dificilmente abandonará a neutralidade em prol de um apoio aos petistas a nível nacional.
Como presidente do MDB capixaba, durante a pré-campanha, o governador assinou uma carta com os demais presidentes de diretórios estaduais da sigla contrária a uma aliança com o presidente Lula e o PT, e pedindo “liberdade” para os dirigentes regionais se posicionarem como bem entenderem em relação à disputa presidencial.
Além disso, Ricardo Ferraço fez diversos movimentos em direção à extrema direita durante a campanha. Entre eles está a transferência da atribuição de conciliação de conflitos fundiários da pasta de Direitos Humanos para a Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Ferraço também cancelou a doação da área da Fazenda Palhal, localizada no distrito de Bebedouro, em Linhares, para assentamento das famílias que a ocupam. Em um gesto mais simbólico, compareceu a um encontro armamentista em Vila Velha, em julho.
Inclusive, se Ricardo tivesse suavizado um pouco mais o discurso, talvez tivesse colhido mais votos no campo progressista no primeiro turno.

