A eleição na Assembleia Legislativa tem sido marcada na última década por fenômenos de votação, evidenciando a mudança do perfil político-partidário do processo a política de grupo. Uma dinâmica que teve início a partir da entrada do governador Paulo Hartung (PMDB) no jogo político, em 2003. As eleições anteriores à sua influencia mostravam uma votação mais equilibrada entre os mais votados. Mas a partir da Era Hartung a diferença é o destaque de lideranças ligadas ao peemedebista passou a ficar evidente. É preciso destacar, porém, a transitoriedade desses fenômenos.
A primeira eleição proporcional que contou com a influência de Hartung foi a de 2006, na qual o aliado de Hartung, Guerino Zanon (PMDB), ex-prefeito de Linhares, foi o recordista de votos, com 65.704 votos. Em 2010, Zanon não disputou a eleição, pois estava à frente da prefeitura. No ano passado, o peemedebista voltou a disputar a eleição estadual, mas diferentemente de 2006 e contrariando as expectativas do mercado político, não ficou na primeira posição. Ele foi o quinto entre os mais votados, com 38.643 votos, ou seja, obteve pouco mais da metade dos votos conquistados em 2006.
Em 2010, o campeão de votos foi Rodney Miranda (DEM), com 65.049 votos. Um incógnita na disputa, Rodney foi eleito por causa de sua proximidade com Hartung e a visibilidade que acumulava como secretário de Segurança com uma atuação midiática, mesmo tendo uma gestão pífia à frente da pasta.
Neste ano, o fenômeno de votação foi o deputado Amaro Neto (PPS), que não é ligado a grupo político, mas tem uma popularidade por causa da carreira de apresentador de TV. Sem nunca ter disputado qualquer cargo, foi eleito com 55.408 votos.
Quando observadas as disputas eleitorais de 1998 a 2014, é possível perceber a mudança de perfil na votação. Na eleição de 98, o mais bem votado foi Max Filho, que obteve 38.610, pouco mais de três mil votos de vantagem sobre o segundo colocado, Gilson Gomes aparece com 25.788. Em 2002, a diferença foi bem menor. Claudio Vereza (PT) teve 37.610 votos, contra 36.500 de Sueli Vidigal (PDT).
Na primeira disputa com a participação de Hartung como governador, a diferença entre os candidatos que faziam parte da política de grupo do governo disparou. Somados, os votos dos dois primeiros colocados – Guerino Zanon e Theodorico Ferraço – passavam de 125 mil. Em 2010, a lógica se repetiu. Desta vez Rodney liderou e Ferraço, mais uma vez foi o vice. Os dois juntos levaram mais de 118 mil votos.
Chama a atenção neste quadro a constância de Theodorico Ferraço (DEM), um político que não depende muito de apoio palaciano para garantir seu capital de votos. Nas últimas três eleições, Ferraço conclui o pleito em segundo lugar com votações altas. É fato, porém, que esse capital tem sofrido ligeira nas últimas eleições, apesar de se manter como o segundo mais votados nas últimas três eleições: em 2006 foram 60.931 votos; em 2010, 53.096; e em 2014, 43.795.

