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Filiados recorrem ao PT nacional para desfazer aliança com Hartung

Um grupo formado por 77 filiados do PT capixaba, entre eles, militantes históricos, como a deputada federal Iriny Lopes e o deputado estadual Cláudio Vereza, entrou com recurso no diretório nacional contra a decisão da executiva estadual pela aliança com o governador eleito Paulo Hartung (PMDB). No documento assinado nessa terça-feira (23), eles alegam que o partido não teria qualquer justificativa para integrar um governo de oposição à presidente Dilma Rousseff. Os petistas também criticam a forma de deliberação, que não teria levado em consideração a ampla discussão com a militância.

O documento foi endereçado ao presidente nacional do partido, Rui Falcão, e consolida o “racha” dentro do PT capixaba às vésperas da mudança de governo. No recurso, os petistas lembram que o peemedebista “foi o mais ativo dos defensores da candidatura de Aécio Neves no Espírito Santo”. O grupo também cita a aliança de Hartung com partidos tradicionais de oposição aos petistas, como o PSDB, que terá o deputado federal César Colnago como vice-governador, e o DEM, lembrando no apoio do peemedebista na eleição do prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda.

“Recorremos ao Diretório Nacional do PT para rever e tornar sem efeito a decisão recorrida, estabelecendo que o PT do Espírito Santo e seus filiados não podem participar de um governo hegemonizado por PSDB, DEM e setores do PMDB que fazem oposição declarada ao nosso projeto e ao governo Dilma”, afirmam os signatários dos documentos, integrantes de três correntes internas – com destaque para a Articulação de Esquerda (AE), de Iriny, Vereza e da senadora Ana Rita Esgário; e da Construindo um Novo Brasil (CNB), de históricos como o ex-deputado Perly Cypriano e o diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guilherme Lacerda.

Eles lembram que, após a reeleição de Dilma, Paulo Hartung foi o único governador eleito a afirmar que ”a eleição da presidenta Dilma era um retrocesso e que faria oposição”. Para os filiados, portanto, não se trata de um sacrifício que o PT estadual fará em favor da governabilidade nacional, mas sim do sacrifício do PT nacional e do governo Dilma em favor de interesses locais de um setor do partido.

Os militantes do PT capixaba também denunciam a manobra para garantir a aprovação da aliança, na reunião realizado no último dia 16. Segundo eles, a medida foi aprovada de forma apressada na Executiva Estadual e sem a possibilidade de ampla discussão entre os participantes do encontro. Eles citam que, após a repercussão negativa da decisão entre os filiados, uma comissão foi criada para apresentar pontos ao novo governo, mas que não teria ocorrido qualquer gesto de boa vontade pelo governador eleito, sobretudo, em relação ao apoio à Dilma.

“Se não bastassem essas razões, a decisão adotada faz do PT capixaba partícipe de um projeto antagônico ao projeto nacional do partido, nos levando a atuar como força auxiliar da direita, pois essa aliança é alicerçada, em boa medida, por um projeto neoliberal emanado de uma ONG [empresarial] denominada ‘Espírito Santo em Ação’. Essa ONG é que estabelece um planejamento para o Estado, inclusive ações de governo, coerentes com um modelo que confunde desenvolvimento com “apoio à iniciativa privada”, narra um dos trechos do documento.

O grupo de filiados segue: “ou seja; o projeto que orienta o governo Paulo Hartung é uma versão local dos projetos neoliberais, colocando o Estado a serviço dos interesses privados. O resultado disso são os pífios indicadores sociais das suas duas gestões, com destaque para a violação dos direitos humanos, aumento da violência, sucateamento da saúde pública e da educação”.

Entre os pontos que teriam sido colocados pela comissão ao governo eleito, estão: a criação da Universidade Estadual; a não privatização do Banestes; eleições diretas para diretores de escolas; adoção do piso salarial regional; promoção e proteção aos direitos humanos; e o respeito aos movimentos sociais. Temas que fazem parte da agenda petista desde a fundação do partido, mas que não atendem à linha do governo de Hartung – a exemplo dos dois últimos mandatos.

Em entrevista ao jornal A Tribuna, o presidente regional do PT, o ex-prefeito João Coser, afirmou que desconhecia o recurso. Nos bastidores, o principal alvo dos descontentes é o próprio Coser, que já foi convidado para compor o secretariado de Hartung e teria sido o principal responsável pela aliança. Durante a reunião da executiva, o grupo do ex-prefeito venceu por 30 votos a 12.

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