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Fim da unanimidade gera inquietações também nos partidos aliados

O feriadão da Semana Santa foi movimentado no PDT. A ocupação de espaços nos palanques que estão sendo colocados para o processo eleitoral deste ano causou atritos internos. A principal estrela do partido, Sérgio Vidigal, que estava sendo cogitado para a disputa ao Senado, assinalava a possibilidade de compor a vice no palanque palaciano, mas acabou fazendo coro à ala do partido que defendia a entrega dos cargos no governo. 
 
O partido rachou e voltou a se unir, tudo no mesmo feriado. As inquietações do PDT são fruto de um processo de mudança na relação política do Estado. O fim da unanimidade divide opiniões não apenas nos partidos envolvidos diretamente na disputa ao governo, mas também nas chamadas forças auxiliares. 
 
Como assinala o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e especialista em políticas públicas, Roberto Garcia Simões, em seu artigo publicado nesta terça-feira (22), em A Gazeta, é a disputa majoritária que causa as tensões políticas. Ele mostra os problemas causados pela unidade nos últimos anos, como a ausência de oposição, o enfraquecimento do Poder Legislativo e as articulações de gabinete, que definem o processo eleitoral antes mesmo de ele ser deflagrado. 
 
Com a possibilidade de haver pelo menos dois palanques na eleição deste ano, o fim da unanimidade fica decretado e as forças políticas tendem a tencionar o cenário por causa da reorganização interna dos partidos diante da nova conjuntura. 
 
O primeiro sinal dessa tensão nos partidos aconteceu ainda no ano passado, quando o senador Magno Malta (PR) aventou a possibilidade de disputar o governo, o que causou uma movimentação interna muito grande no partido. O PR perdeu suas principais estrelas para a disputa proporcional e se desidratou. 
 
O PMDB, do ex-governador Paulo Hartung, criador da unanimidade no Estado, quer disputar o governo, mas uma grande parte dos peemedebistas, inclusive seus prefeitos, quer permanecer no palanque de Renato Casagrande. 
 
O PT, que atua como força auxiliar, também já sentiu internamente os efeitos do fim da unanimidade. O partido, que tradicionalmente busca o debate entre suas várias correntes, se divide sobre a possibilidade de tomar um dos dois caminhos apresentados até agora para a eleição de outubro. 
 
A reorganização e a divisão das lideranças políticas devem se intensificar até a consolidação do quadro de disputa, o que só deve acontecer após as convenções de julho. Até lá, a queda de braço entre os palanques de Renato Casagrande e Paulo Hartung pelo apoio dos demais partidos no intuito de fortalecimento de suas candidaturas deverá causar ainda muita tensão interna nos partidos do Estado. 

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