“A Assembleia Legislativa foi atingida em sua função fundamental que é votar os projetos de lei”. A frase do deputado Claudio Vereza (PT) durante a fase das comunicações resumiu a delicada situação em que se encontravam os 13 deputados na sessão ordinária desta quarta-feira (10). O clima estava tenso tanto no plenário como nas galerias, e também entre os manifestantes que ocupam a Casa. Apesar de a Mesa Diretora ter assumido um compromisso com os manifestantes de que votariam o projeto de decreto legislativo que pretende suspender a cobrança do pedágio na Terceira Ponte nesta quarta-feira, depois da desocupação da sala da presidência, que havia sido ocupada na última terça-feira (2), não houve votação.
Os deputados não cumpriram sua parte no acordo. Mesmo com o apelo dos colegas presentes no plenário, o grupo de 15 parlamentares contrários ao projeto não compareceu à Casa, mantendo a posição de que só retornará se houver desocupação do prédio, alegando para isso que não há segurança para a votação.
Para a sessão desta quarta, compareceram os cinco deputados da bancada do PT – Claudio Vereza, Roberto Carlos, Rodrigo Coelho, Genivaldo Lievore e Lúcia Dornellas –, o autor do projeto Euclério Sampaio (PDT), Gilsinho Lopes (PR), José Esmeraldo (de saída do PR), Hércules Silveira (PMDB), Janete de Sá (PMN), Solange Lube (PMDB), Marcus Mansur (PSDB) e o presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM).

Ainda em seu pronunciamento, o deputado Claudio Vereza destacou que a movimentação de obstrução dos deputados contrários ao projeto poderia ser feito na Casa, não havendo necessidade da reunião dos parlamentares fora do prédio.
Por falta de quórum, Theodorico Ferraço suspendeu a sessão para que a Mesa pudesse fazer uma reunião extraordinária sobre a votação do projeto. Os deputados que apoiam o projeto também se reuniram no plenário.
Enquanto os deputados discutiam uma estratégia no plenário, a primeira secretária da Mesa, deputada Solange Lube (PMDB), se reuniu a portas fechadas com os manifestantes. Também participaram da reunião o chefe de Segurança da Assembleia, Luiz Carlos Gilbert, e o presidente da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), Homero Mafra.
Como não houve acordo até o fim da sessão, a matéria volta a ser discutida na próxima segunda-feira (15). O prazo para a apresentação do parecer do relator da matéria na Comissão de Justiça, Gildevan Fernandes (PV), terminou nesta quarta-feira.
Como o parlamentar não aparece na Assembleia desde segunda-feira (8), um novo relatório deve ser apresentado na próxima sessão, mas não haverá como se pedir prazo regimental na Comissão de Justiça.
Sobre a ausência de mais da metade do plenário, os deputados destacaram que a deputada Aparecida Denadai (PDT) está internada em um hospital de Cariacica e o deputado Atayde Armani (DEM) está em São Paulo, também para tratamento de saúde.
Clima tenso
Enquanto os deputados tentavam traçar uma estratégia para o desfecho da discussão em plenário, nas galerias a população acompanhava a votação em um clima de expectativa. Quando o projeto de decreto legislativo, o item quatro da pauta, começou a ser discutido, os manifestantes vaiaram o posicionamento da Mesa.
Entre os alvos das críticas dos manifestantes, o deputado Theodorico Ferraço foi lembrado por moradores de Guarapari, devido ao cargo legislativo que concedeu ao ex-prefeito do município Edson Magalhães (sem partido). Com faixas e cartazes, os moradores do município cobravam a extensão do sistema Transcol, que deveria atender a toda região metropolitana, mas só está presente em Cariacica, Serra, Viana, Vitória, Vila Velha e alguns bairros de Fundão

