Eleito no palanque do tucano Aécio Neves, o governador eleito Paulo Hartung (PMDB) manteve uma postura de críticas à presidente reeleita Dilma Rousseff (PT). Mas, passados quase dois meses da eleição, o peemedebista vem mudando seu comportamento e parece ter entendido que sem o apoio do governo federal terá muita dificuldade em seu terceiro mandato.
Além de acomodar o PT capixaba em seu grupo, podendo, inclusive, abrir uma vaga para o partido à frente de uma secretaria, o governador vem buscando interlocução com o governo federal e tem feito isso por meio dos governadores eleitos com o apoio de Dilma na eleição deste ano.
Nessa segunda-feira (1), Hartung esteve reunido com o governador eleito do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que foi eleito com o apoio do PT e se mantém próximo de Dilma. A expectativa parece ser a de que, com a intercessão dos vizinhos, Hartung conseguirá se aproximar da presidente.
Na semana passada, sob o pretexto de discutir ações conjuntas de recuperação do Rio Doce – mesmo a agenda ambiental nunca ter sido seu forte –, Hartung se reuniu com o governador eleito de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT), considerado amigo de Dilma.
Embora na cúpula do PT nacional haja uma desconfiança muito grande em relação a Hartung, devido à sua postura com o partido nas2002, 2006 e 2010, quando prometeu apoio ao partido e se manteve neutro no processo; e em 2014, quando esteve no palanque do principal adversário do PT, Dilma precisa do apoio do maior número de governadores, devido ao acirramento da disputa com os tucanos. Neste sentido, o cenário pode beneficiar essa aproximação.
Hartung precisa se aproximar dos vizinhos para evitar que o tamanho do Espírito Santo em Brasília não prejudique as movimentações do Estado na busca de recursos. Diferentemente do Nordeste, o Sudeste não atua em bloco no Congresso Nacional, por isso, o Estado fica isolado no que diz respeitos aos interesses que nem sempre se afinam com os interesses de Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

