Ironicamente, os signatários da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que abriu brecha para a reeleição de Theodorico Ferraço (DEM), em sua maioria, faziam parte do chamado blocão que reivindicava uma relação independente entre o Legislativo e o Palácio Anchieta. Depois de verem o blocão naufragar, resta aos 16 deputados que integravam a frente, aderir à candidatura do atual presidente da Casa, ainda que isso signifique abandonar a ideia de independência dos poderes.
Em outubro passado, um grupo de dez deputados, entre eles os reeleitos Marcelo Santos (PMDB), Josias da Vitória (PDT), Gilsinho Lopes (PR) e Sandro Locutor (PPS), protocolaram na Assembleia a PEC, que permitia a recondução do presidente da Casa, na eleição entre uma legislatura e outra.
Na época a justificativa dos parlamentares era de que isso daria chances iguais a todos os deputados em uma nova legislatura. Mas o que queriam os parlamentares era evitar que o governo do Estado impusesse o nome de Guerino Zanon (PMDB) goela abaixo da Assembleia. Até porque naquele momento, Theodorico Ferraço afirmava não ter interesse na recondução ao cargo.
Aprovada a PEC, os deputados pretendiam ter um trunfo na articulação com o governador do Estado, mostrando que queriam participar do processo de discussão. Acreditavam que Theodorico Ferraço seria uma figura capaz de manter a articulação no nível que os deputados pretendiam, mas não contavam com a adesão do presidente ao projeto palaciano, nem que Ferraço se tornasse o candidato apoiado pelo governador Paulo Hartung (PMDB).
O bloco foi formado para tentar criar as condições de discussão com o governo do Estado, mas Ferraço se recusou a entrar no grupo, que antecipadamente acabou criando a ideia de que o candidato seria Josias Da Vitória, que acabou desistindo de lançar o nome para enfrentar Ferraço, mesmo tendo o apoio de 15 parlamentares.
Com isso o bloco se esvaziou e os deputados que assinaram a PEC agora terão de compor com a candidatura de Ferraço. Mas essa não seria uma atitude para enfrentar a candidatura de Guerino Zanon que vem afirmando estar disposto a colocar o nome na eleição, já que no Plenário, a ideia é de que o peemedebista tem feito apenas um exercício político para articular com o governo do Estado sua ida para a Secretaria de Esportes, onde teria mais visibilidade política para disputar a Prefeitura de Linhares em 2016.
Com a reeleição de Theodorico Ferraço, que é tida como certa na Assembleia, os meios políticos acreditam que o governador Paulo Hartung garantirá a relação de harmonia subserviente que manteve sua governabilidade pelos oito anos de governo, sem que houvesse atritos com a Casa.
Naquele momento, porém, uma sucessão de escândalos enfraqueceu o poder Legislativo, permitindo que o governador que tomou posse com discurso de “faxina ética”, dominasse a Casa. Desta vez, o governador garantiu o controle sem precisar de ameaças externas, já que os próprios deputados criaram o mecanismo que serviu de dominação por parte do Executivo ao criar a PEC que permitiu a recondução de Theodorico Ferraço à presidência da Mesa Diretora.

