Embora a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia negue, a cada dia é mais claro para os meios políticos a manobra palaciana em torno da criação da CPI do Pó Preto na Casa. Depois de tirar o controle da comissão das mãos do deputado Gilsinho Lopes (PR), a nova movimentação seria para barrar a participação do deputado na composição do grupo, como defendem os ambientalistas.
Embora o deputado Gilsinho Lopes venha tentando criar a CPI desde 2013, e tenha retomado o trabalho este ano, colhendo assinaturas para tentar tirar a comissão do papel, sua movimentação acabou sendo esvaziada com a retirada de assinaturas de deputados governistas. Nessa segunda (9), a manobra ficou evidenciada com a ação do presidente da Comissão de Meio Ambiente, Rafael Favatto (PEN), que protocolou um outro pedido de criação de CPI com o mesmo objetivo, mas sem consultar Gilsinho Lopes.
Para os meios políticos essas articulações foram comandadas pelo Palácio Anchieta, já que, apesar de estar usando o discurso do combate à poluição, o governo do Estado não estaria de fato interessado em discutir as causas do problema, porque isso colocaria na alça de mira grandes empreendimentos industriais, como Vale e ArcelorMittal, antigas financiadoras de campanha de Hartung.
Por isso, seria necessário colocar à frente dos colegiados que cuidam dessas discussões deputados alinhados ao Palácio Anchieta, com o objetivo de evitar desgastes com as empresas. A própria composição da comissão de Meio Ambiente foi movimentada politicamente por causa dessas questões.
Ao todo, 13 deputados se mostraram interessados na Comissão de Meio Ambiente. Na última quarta-feira (4) foi feita a distribuição dos cargos. Rafael Favato (PEN) foi eleito presidente e Erick Musso (PP) ficou com a vice. Os efetivos são: Bruno Lamas (PSB), Dary Pagung (PRP) e Gildevan Fernandes (PV). Suplentes: Raquel Lessa (SD), Almir Vieira (PRP), Euclerio Sampaio (PDT), Edson Magalhaes (DEM) e Marcelo Santos (PMDB).
Assim que assumiu o posto, o presidente da Comissão afirmou ser contrário à CPI, porque esses assuntos deveriam ser tratados na Comissão de Meio Ambiente. Mas, foi justamente Favatto quem apresentou o pedido de criação da CPI e agora quer na Comissão apenas os membros da Comissão de Meio Ambiente. Esse posicionamento, para os meios políticos, é uma forma de evitar que Gilsinho Lopes participe da Comissão como membro efetivo, como é o desejo dos ambientalistas que brigam pela investigação e adequação das empresas poluidoras.
Uma vez membro da Comissão, Gilsinho poderia apresentar relatório em separado, caso não concorde com os trabalhos do relator. Pode fazer convocações para tomada de depoimentos e dar à CPI o rumo que os ambientalistas esperam do colegiado. Sem a presença dele, a credibilidade do trabalho ficará comprometida.
A escolha dos membros da CPI seria nesta quarta-feira (11). Ao todo 26 parlamentares assinaram o pedido de criação da CPI, inclusive Gilsinho Lopes (PR). Nessa terça-feira (10), o presidente da Casa, deputado Theodorico Ferraço (DEM), leu um ato que distribui as vagas partidárias para a comissão, sendo uma do autor da proposta e quatro indicadas pelo bloco parlamentar.
Mas o próprio Favatto já adiantou que vai tentar emplacar os integrantes da Comissão de Meio Ambiente e como a primeira assinatura do pedido é o do coordenador do blocão, Rodrigo Coelho (PT), a expectativa é de que Gilsinho fique fora do grupo, o que pode trazer um desgaste político muito grande para a Casa, já que ficará evidenciada a manobra palaciana.

