A bancada capixaba em Brasília é uma das menores do Congresso Nacional, mas não é apenas por causa do tamanho do grupo que o desempenho dos deputados fica prejudicado, mas sim pelo isolamento do Estado na região Sudeste. Neste sentido, não há muito a se esperar em termos de desempenho dos novos deputados federais e dos reeleitos.
Diferentemente de alguns estados do Nordeste, com bancadas do mesmo tamanho ou ainda menores que a do Espírito Santo, na Região Sudeste não há interesse dos outros estados em atuar em bloco com o Espírito Santo, como acontece no Nordeste. Por isso, a bancada capixaba fica isolada com suas bandeiras, que não são abraçadas pelos vizinhos (São Paulo, Rio de Janeiro e MInas Gerais) da Região Sudeste, autosuficientes para correr atrás das suas próprias bandeiras.
Na Câmara dos Deputados, o Espírito Santo reelegeu quatro deputados federais: Lelo Coimbra (PMDB), Paulo Foletto (PSB), Manato (SD) e Jorge Silva (Pros). O peemedebista é o que tem mais visibilidade entre os capixabas, mas não estaria satisfeito em Brasília e buscando uma forma de voltar ao Estado.
Manato tem um perfil zeloso nas atividades da bancada, mas sua expectativa de conquistar um cargo na Mesa Diretora não prosperou este ano. Ele e Jorge Silva têm uma atuação voltada a buscar recursos para o Estado. Paulo Foletto também atua desta forma, mas é preciso observar seu movimento agora que o PSB passou a ser oposição ao governo Dilma Rousseff.
Os novatos do PT, Helder Salmão e Gilvado Vieira, têm um compromisso com o governo federal. Helder deve encampar sua principal bandeira, a da pequena e micro empresa, e Gilvado ainda não se sabe como desempenhará seu mandato, vindo de uma vice-governadoria.
Marcus Vicente (PP) é experiente, chegou a ser cogitado para a primeira secretaria da Mesa Diretora, vaga do PP. Tem trânsito e retorna a Casa depois de oito anos afastado. O deputado federal mais bem votado do Estado, o ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, pode ter destaque na bancada nacional do PDT.
Max Filho (PSDB) chama a atenção, já que, apesar de ter feito um bom mandato de deputado estadual, tem um perfil executivo. Na oposição ao governo Dilma, pode se destacar na Casa. Já Evair de Melo (PV), que tem como primeiro mandato o de deputado federal é uma incógnita, mas os meios políticos esperam que sua ligação ao meio agrícola, sobretudo à cultura do café, faça com que ele tenha um desempenho forte nesta área. O desempenho desses deputados, porém, pode ser isolado e não de bancada.
No Senado a novidade é a chegada de Rose de Freitas (PMDB), uma das três senadoras eleitas em outubro passado. Ela que fez campanha no palanque tucano já aderiu ao discurso governista, mostrando que mantém sua capacidade de se adequar ao poder.
Ela se soma aos senadores Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PMDB), os dois, porém, apontam perfis oposicionistas na Casa. Malta vem criticando Dilma, embora tenha votado em Renan Calheiros (PMDB-AL), o candidato palaciano. Já Ricardo Ferraço é o parlamentar capixaba com mais visibilidade na mídia nacional, seja por sua atuação na Comissão de Relações Exteriores ou pelas aventuras políticas em Brasília. A última delas foi a tentativa de candidatura dissidente do PMDB.

