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Primeiros passos da Assembleia apontam para submissão ao Executivo

Os primeiros movimentos da nova Assembleia Legislativa não animam aqueles que pensam que o Poder poderia ter um perfil mais independente em relação ao Executivo. O perfil submisso dos deputados ao Palácio Anchieta ficou explícito na posse dos novos deputados nesse domingo (1) e também nas movimentações que antecederam à posse nos últimos dias.
 
O governador Paulo Hartung se reuniu com os parlamentares e pediu que não houvesse disputa pela presidência da Casa e indicou o caminho que preferia: a reeleição de Theodorico Ferraço (DEM). Essas ações do governador nortearam  o processo e não houve muita dificuldade em desmobilizar o bloco de 16 parlamentares que pregavam independência na Casa. 
 
A ingerência de Hartung na disputa interna foi além da Mesa Diretora, ele também ajudou na acomodação das comissões e seus aliados ficarão à frente das mais importantes. Justiça ficará com o coordenador do bloco governista, Rodrigo Coelho (PT), e Finanças, com Dary Pagung (PRP), outro palaciano de carteirinha. 
 
Segurança será de Euclério Sampaio (PDT), um dos primeiros aderir ao grupo de Hartung, a Comissão de Meio Ambiente virou na semana passada a menina dos olhos da Assembleia, já que o governador adotou um discurso “ambientalista”, ainda que transitório. Isso pode fortalecer o colegiado da Casa, que nunca teve grande destaque político.
 
Essa movimentação também teve o dedo de Hartung. O deputado Erick Musso (PP) estava com a mão na presidência da Comissão, mas o governo do Estado se movimentou e conseguiu emplacar o aliado Rafael Favato (PEN) na presidência do colegiado. 
 
A liderança do governo, nas mãos de Gildevan Fernandes (PV), que na legislatura passada se mostrava aliado do ex-governador Renato Casagrande, mostra que os deputados têm pelo Palácio Anchieta um sentimento de submissão difícil de ser superado.
 
Se em 2003 Hartung conseguiu controlar o Legislativo colocando nele o rótulo de uma instituição tomada pelo crime organizado, desta vez o peemedebista não precisou de subterfúgios para dominar os deputados. Foi necessário apenas chamar para conversar. Mesmo tendo cortado recursos da emendas individuais e do orçamento anual da Assembleia, os deputados não parecem dispostos a discutir o governo Paulo Hartung com as prerrogativas que o mandato permite.
 
Com a Mesa Diretora e as principais Comissões sob o controle do Executivo, a expectativa é de que esta Legislatura se torne ainda mais submissa do que a encerrada nesse domingo (1).

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