O ex-governador Renato Casagrande (PSB) elevou o tom das críticas em relação ao seu sucessor, Paulo Hartung, após a nova tentativa de responsabilizar da gestão passada por supostas irregularidades em pagamentos. Nesta quarta-feira (4), o socialista utilizou a sua página no Facebook para rebater a acusação feita pelo novo secretário de Transparência, Marcelo Zenkner, que já havia contestada pela antiga equipe de Casagrande. “Se mentir durante a campanha eleitoral é falta de ética, mentir na administração pública é um crime contra os cidadãos”, afirmou.
No texto, o ex-governador classificou as movimentações da equipe de Hartung como a “montagem de outra farsa”. Segundo ele, as duas primeiras tentativas de desconstrução de sua administração foram desmentidas pelos fatos. Casagrande citou a acusação da perda do controle fiscal do Estado. “A mentira eleitoreira não ficou de pé, pois fomos reconhecidos pela Secretaria do Tesouro Nacional como a melhor gestão fiscal do Brasil”, lembrou.
O socialista também citou as declarações de Hartung, que se estendeu à sua nova equipe econômica, de que o Espírito Santo teria perdido o ritmo de desenvolvimento. “Dessa vez, quem cuidou de desmentir os apocalípticos foi o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao demonstrar que tivemos, em 2014, o segundo melhor desempenho industrial do país”, assinalou Casagrande.
Sobre a polêmica relacionada ao pagamento de eventuais despesas sem empenho (previsão orçamentária), o governador acusou a atual administração de cancelar convênios e suspender os pagamentos de fornecedores. Nessa terça-feira (3), o secretário Marcelo Zenkner convocou a imprensa para divulgar que a pasta encontrou R$ 295 milhões em “pagamentos suspeitos” no ano passado. Ele sugeriu até mesmo a prática de crimes pelos antigos gestores. Em seguida, o ex-secretário de Planejamento do governo passado, Davi Diniz, classificou o fato como “teoria fantasiosa” e afirmou que a própria gestão de Hartung cancelou os empenhos sem qualquer explicação.
Casagrande afirmou que a anulação dos empenhos estaria prejudicando diretamente a vida milhares de capixabas. “[Eles] fazem uma verdadeira salada de números para dizer que fizemos dívidas sem cobertura. Um absurdo, pois deixamos mais de R$2 bilhões em caixa, desses, R$ 700 milhões livres”, completou, reforçando que a “herança” deixada por sua administração vai muito além do saldo negativo de R$ 27 milhões, como declarou a nova secretária da Fazenda, Ana Paula Vescovi.
A reação mais enérgica do ex-governador confirma as projeções do mercado político de que a disputa entre ele e o atual governador não tem data para terminar. Antes do sair do cargo, Casagrande declarou que iria fazer a defesa de seu governo mesmo na “planície política”. As recentes investidas da equipe de Hartung – e do próprio peemedebista, a exemplo do que ocorreu na solenidade de posse dos novos deputados no último domingo (1) – e a pronta resposta do socialista acabam confirmando essa expectativa.

