A repercussão da morte de um soldado em Cachoeiro; a escolha dos candidatos a vice-governador; o início da campanha; e mais

Repercussão
A morte do policial militar Paulo Henrique Carvalho Faccin, de 28 anos, em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), gerou imensa repercussão na classe política capixaba neste fim de semana. Segundo informações da própria Polícia Militar do Estado (PMES), Carvalho e um outro soldado estavam em patrulhamento na região do bairro São Luiz Gonzaga quando receberam a informação de que Luan de Oliveira Cleto, um fugitivo do sistema prisional, estava nas imediações. Durante a abordagem, o suspeito reagiu, tomou a arma de Carvalho e deu-lhe um tiro na cabeça. Depois, Luan também morreu após perseguição. O governador Ricardo Ferraço (MDB) decretou luto oficial de três dias e compareceu ao velório, realizado nesse domingo, e um de seus principais concorrentes na disputa pelo Governo do Estado este ano, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), também marcou presença no velório.
Uso político
Como esperado, teve quem usasse o episódio como gancho para reforçar teses punitivistas. O presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Ales), Marcelo Santos (União), candidato a deputado federal, afirmou que o “bandido” aproveitou as “leis frouxas brasileiras” para praticar o crime durante a “saidinha”. O deputado federal Gilvan da Federal (PL) – que, mesmo condenado em segunda instância por violência política de gênero, conseguiu registrar candidatura à reeleição – defendeu que “precisamos, com urgência, transformar o Brasil em El Salvador”. Ninguém levou em conta o fato de que o soldado, com apenas um ano de experiência, foi uma vítima indireta do Estado, que não teve a capacidade de proteger seu agente. Sobre El Salvador e seu tão louvado presidente Nayib Bukele, já existe vasta documentação comprovando que o “método Bukele” de segurança é uma grande enganação, baseado em acordos com os grandes líderes de facções, combinando as prisões no varejo de soldados do crime e pobres inocentes – conforme abordado no documentário “The deal” (O pacto). Houve um tempo em que o sonho dos colonizados era transformar o Brasil em uma Europa…
Trabalhadores da segurança
Uma pesquisa recente da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) com integrantes da Companhia de Choque do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) revelou que 53,2% tinham hipertensão arterial. Mesmo com elevados níveis de atividade física, os militares com pressão alta dormiam menos, acumulavam mais gordura corporal e registravam maior frequência de consumo de álcool e tabagismo do que os colegas sem hipertensão. Nenhum dos policiais tinha diagnóstico prévio ou fazia uso de remédios para controlar a doença. Pode-se argumentar que a tensão é parte natural das atribuições de um oficial de segurança, mas é preciso lembrar que estamos falando de trabalhadores, e que estão sendo diariamente jogados no olho do furacão de uma guerra urbana que tem produzido poucos resultados para a população em geral. Portanto, se queremos falar de segurança pública de verdade, é bom começar por aqui.
Bandido bom é bandido morto?
Aliás, o velho discurso de “bandido bom é bandido morto” apenas contribui para a brutalização do cotidiano e para que vidas como a do soldado Carvalho fiquem sob risco. Felizmente, um estudo recente do Instituto Sou da Paz em parceria com a Oma Pesquisa identificou que apenas 20% dentre mais de 1 mil entrevistados concordavam com o aforismo “bandido bom é bandido morto” – conforme destacado em texto do portal Outras Palavras. O povo, obviamente, tem medo e quer soluções efetivas contra a violência, mas tem noção de que soluções fáceis só pioram a questão – falta combinar com a nossa ilustre classe política.
Ilustres desconhecidos?
O último vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, era um político com bastante experiência e visibilidade estadual. Para o próximo mandato, isso não vai se repetir, tendo em vista que as principais chapas na disputa pelo Governo do Estado registraram nomes de vices com menor experiência em cargos políticos. Ricardo terá ao seu lado o vereador de Vitória Camillo Neves (PP), que está no primeiro mandato. Helder Salomão (PT) escolheu Professora Valdirene (PT), também estreante na Câmara de São Mateus (norte do Estado). Lorenzo Pazolini terá como companheira de disputa a Bispa Eliane Leal (PL), que concorreu pela primeira vez em 2024, para vice-prefeita de Colatina (noroeste), e não se elegeu.
Simbolismos
No caso de Camillo Neves, o grupo governista optou por um integrante da poderosa federação União Progressista (UPB, União Brasil + PP); seu pouco capital político evita que se consolide como uma liderança que poderá concorrer contra outros integrantes da frente ampla na eleição seguinte. Já Professora Valdirene é uma mulher negra vinda do único município entre os grandes do Espírito Santo que deu vitória a Lula contra Jair Bolsonaro nas eleições de 2002. E a Bispa Eliane Leal acrescenta à chapa de Lorenzo Pazolini uma mulher conservadora, oriunda de um município do interior, onde o ex-prefeito de Vitória precisa melhorar seu desempenho eleitoral. Nesse último caso, trata-se, também, de uma figura próxima do senador Magno Malta (PL), o que mostra o grau de influência do líder bolsonarista sobre Pazolini.
Começou a campanha
A campanha eleitoral começou oficialmente nesse domingo (16). Helder Salomão deu a largada fazendo campanha na feira de Campo Grande, em Cariacica, cidade que governou por dois mandatos; nesta segunda-feira (17), tem reunião interna e depois participa de sabatina. Lorenzo Pazolini passou pela feira livre de Feu Rosa, na Serra, no domingo. No mesmo dia, Breno Barcelos (Missão) lançou oficialmente a campanha na Praça dos Namorados, em Vitória. Rafael Demuner e a turma da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) passaram o fim de semana pelo Centro de Vitória vendendo o jornal “A Verdade”, publicação da sigla, e dialogando com eleitores. E Ricardo Ferraço terá a “primeira grande reunião” nesta segunda-feira, às 18h30, na avenida Estudante José Júlio de Souza, na Praia de Itaparica, em Vila Velha – além de Ricardo, as presenças do candidato a senador Renato Casagrande (PSB) e do prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) são destacadas na arte de divulgação.

