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Adeus,   Mafalda.                                                                     

É com V ou com Dabro?

Uma perguntinha para a meditação dos inquietos: Qual teria sido o evento ou a atividade que realmente iniciou a longa jornada humana rumo à sofisticada civilização que temos hoje? As respostas seriam infinitas, desde o uso das mãos como instrumentos de sobrevivência,  ou o advento da roda e o domínio do fogo. No entanto, esgueirando-se nas sombras como uma serpente chinesa, algo importante e imponente veio mudar os rumos da humanidade. 

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As populações evoluíam, criando assim a necessidade de registrar os eventos coletivos, as decisões importantes, os deveres e responsabilidades de cada um e da coletividade. Ou seja, a necessidade gerou praticidade, como o recado na entrada da caverna: Já tem dono!  A primeira foi a escrita cuneiforme, inventada pelos sumérios, e no Egito criaram os sofisticados hieróglifos. A ideia era inventar símbolos que todos pudessem entender e memorizar, mas todos, no caso, só incluíam as elites. 

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Herdado dos romanos, o alfabeto português por muito tempo se acomodou com 23 letras, resistindo galhardamente à intrusão  do X, Y, W, letras comuns no alfabeto germânico, mas totalmente desnecessárias no desenvolvimento das nossas habilidades literárias. Mas aceitou a cedilha, outra letrinha inútil, uma vez que o SS presta o mesmo serviço. E complicando mais ainda a vida e a arte..

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Quanto a mim, uma dúvida a mais: Quando meu pai foi ao cartório registrar a segunda filha, o V-dobrado foi imposição dele ou do escrevinhador? “Wanda deve ser com Dábriu, por favor”. O modesto escrivão do interior do ES, não achou apropriado: “Por que, meu senhor? Essa letra ainda não existe no português e a indefesa criança vai ter problemas a vida toda tentando explicar esse símbolo alienígena.” Papai insistiu, e nem percebeu que o teimoso escriturário eliminou o indefeso W do meu segundo nome. 

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Ainda hoje, quando preciso inserir meu nome em algum documento oficial, na maioria das vezes me perguntam: Com Ve ou com Dabro? Informo que é dábliu, embora soe esquisito. Em inglês me chamam Uanda, mais esquisito ainda: se são dois Vs, por que o W tem som de U? Soa um tanto sofisticado, mas essa deformidade da língua inglesa remonta às variações do latim, que não tinha U nem W: o V acumulava as duas funções. Sim, do latim!

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Diz a lenda que meu nome seria Mafalda, há séculos abolido da nomenclatura feminina, como Aparícia,  Lucélia, Policena. Ainda tem algumas Vandas e Wandas nas  Gerações Z e Beta, mas também estão sumindo do mapa, como se dizia nos tempos da Geração Coca-Cola, porque essa coisa de nome também segue moda e estilo. Hoje abundam as Isabelas, Giseles, Adrianes, mas até quando? O mundo é uma bola constantemente rodando.

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