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Apenas números

 

Perguntei na coluna passada e volto ao tema agora, porque não há como ignorar. Sete dias após o início da “greve branca” da Polícia Militar, o Espírito Santo já atingiu a triste marca de 121 mortos. Os números são do Sindicato da Polícia Civil (Sindipol), porque o governo Paulo Hartung – pasmem! – ainda não tem o seu próprio levantamento, ou, mais provável, prefere omitir. Sem qualquer informação a respeito, aumenta a inquietude de uma parcela da sociedade – me incluo aí – em cobrar a identificação desses mortos. Não se sabe nomes, origem, cor, idade. Nem mesmo se seus familiares receberam a devida assistência, tanto na hora da identificação dos corpos, amontoados no Departamento Médico Legal (DML), como após a confirmação das mortes. Num cenário de guerra civil como o nosso, regra prioritária seria divulgar a lista das vítimas. A ausência dela reforça a constatação de que os mortos fazem parte dos grupos já vulneráveis da sociedade, portanto, para muitos, inclusive o governo, indignos de qualquer comoção – e se fossem de outras classes sociais? Tão inadmissível quanto essa falta de informação, é a postura do governo em sequer fazer uma manifestação de pesar por todas essas mortes. Para além da queda de braço entre os PMs e o governo Hartung, 121 pessoas morreram no Espírito Santo! E essa marca aumenta assustadoramente, a cada dia. Até quando as vítimas desse caos sangrento serão apenas como números? 
Novos tempos
Por falar em Hartung, depois do panelaço – quem diria! – realizado por muitos capixabas na noite dessa quinta-feira (9), por conta da entrevista à jornalista Miriam Leitão na GloboNews, um grupo protestou, nesta sexta-feira (10), em frente ao Palácio Anchieta, no Centro. Com cartazes e gritos de “Fora Hartung”.
Palanque
A propósito, como a expressão do governador mudou entre o curto espaço de tempo que separa a coletiva do dia em que retornou ao Estado, em que estava abatido e quase mudo, e a entrevista da Globo News. Hartung já apareceu pra lá de disposto e como se estivesse em cima de um palanque.
Tudo em casa
Não passou batido nas redes sociais durante a transmissão ao vivo da coletiva realiza na manhã desta sexta com o secretário de Segurança, André Garcia, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Nylton Rodrigues, uma frase solta por Garcia no automático: “A nossa Rede Gazeta (…)”. Rendeu críticas e mais críticas dos internautas.
E agora…
A população está no aguardo do que irá acontecer diante das muitas ameaças feitas por Garcia e Nylton aos policiais em greve e aos seus familiares. Hartung está com sede de vingança. Pior que está, fica?
Camaleoa
A senadora Rose de Freitas (PMDB) mudou de ideia rapidinho. Saiu da posição de interlocutora dos PMs, para defensora do discurso de Hartung. Em entrevista ao Valor Econômico, defendeu a política de austeridade do governador, criticando pleito por reajuste da categoria. Não dá ponto sem nó.
Investigação
Acusado em grupos de WhatsApp de ter provocado a “greve branca” da PM, por interesses políticos, o deputado estadual Da Vitória (PDT) registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Virtuais. Ele rebate as informações, apontadas por ele como inverdades, e quer descobrir a autoria. 
Conveniências
Quem voltou a se manifestar nas redes sociais foi o deputado Sérgio Majeski (PSDB). Desta vez, em relação ao argumento do governo de que não pode conceder reajuste aos PMs por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal. “O governo rasga a Constituição e várias leis o tempo todo (…). Como podem exigir que as pessoas e outras instituições cumpram rigorosamente a lei e a Constituição?”.
Ai, ai…
Então quer dizer que o presidente da República, Michel Temer, resolveu se pronunciar sobre o caos instalado no Estado? Mas, já aviso logo, depois de tanta demora, não disse nada demais. Foi bem econômico: é contra o movimento da PM e apoia as decisões do governador. Jura?
Nas redes
“Tenho uma sugestão ao nosso governador. Enfileirar as famílias dos mais de cem assassinados nesses seis dias e repetir para cada uma o que acabou de dizer na Globonews: que nós vamos sair disso muito melhores”. (Eliana Kuster – professora do Ifes – no Facebook).
PENSAMENTO: 
“O todo é maior do que a simples soma das suas partes”. Aristóteles

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